Novo disparo na energia deixa empresas apreensivas
O reacender das hostilidades no Golfo Pérsico (e o alastramento ao Mar Vermelho com o recrudescer da guerra no Iémen) fez disparar novamente o preço da energia, agravando uma situação já delicada para as empresas europeias e, por arrasto, nacionais. O Governo já avançou com medidas para conter os efeitos, mas, segundo as associações ouvidas pelo JE, é preciso mais.
As empresas estavam já pressionadas pelo aumento dos custos energéticos do primeiro trimestre, mas o barril de petróleo voltou a tocar os 100 dólares esta semana e os alarmes soaram. As associações ouvidas pelo JE falam em aumentos em cima de aumentos na estrutura de custos, o que, em setores intensivos em energia, agrava ainda mais as dificuldades que já se vinham sentindo.
O Governo anunciou uma série de medidas para combater os efeitos desta escalada, com destaque para o ISP, que vê um maior desconto fiscal. Segundo o ministro da Presidência, são mais 3 cêntimos, o que limita a subida, mas vozes da oposição, nomeadamente do PS, continuam a acusar o Executivo de lucrar com a subida. A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, rejeita a acusação, classificando-a como injusta.
Além do reforço do desconto no ISP, o apoio de 10 cêntimos no gasóleo agrícola foi prolongado até final do ano, bem como a medida da botija solidária. Ainda assim, tanto Luís Montenegro, como Maria da Graça Carvalho, como Manuel Castro Almeida, ministro da Economia, deixaram a porta aberta a mais apoios em breve.
Com tal em mente, os pedidos das associações ouvidas pelo JE são claros: as empresas precisam de mais apoio para atravessar esta situação que, se há meio ano parecia poder ser temporária, dá cada vez mais sinais de se ir prolongar durante bastante tempo, dada a improbabilidade de um acordo entre Washington e Teerão.
São precisas, portanto, mais medidas fiscais que desonerem o tecido empresarial, apoios à tesouraria e uma aposta mais clara e ambiciosa na transição energética, para defender a economia nacional destes choques externos. Luís Miguel Ribeiro, da Associação Empresarial de Portugal (AEP), fala em medidas dirigidas aos setores mais expostos, enquanto do lado dos agricultores, Luís Mira, da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), coloca o montante necessário entre “170 e 200 milhões de euros”.
Já Paulo Almeida, da Apicer – Associação Portuguesa da Indústria Cerâmica, sugere a recuperação do modelo do antigo ‘Apoiar Gás’, que destinou 190 milhões a apoiar os segmentos mais dependentes do gás natural aquando da escalada na cotação desta matéria-prima após a invasão russa da Ucrânia. À altura, foram atribuídos apoios até 500 mil euros por empresa.
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