GP de Espanha F1, Fernando Alonso: “Não podemos esperar até 2031 para ter um desporto adequado”
Mohammed Ben Sulayem espantou quem o ouviu ao admitir que quer ajudar a Aston Martin e a Honda, numa tentativa de manter Fernando Alonso na Fórmula 1 em 2027. O presidente da FIA disse que ia tentar convencer Alonso a ficar pelo menos mais um ano. Já o espanhol reconheceu ontem que ainda não falou com Ben Sulayem, admitindo, no entanto, que conversa regularmente com Stefano Domenicali sobre a necessidade de melhorar a modalidade.
Alonso ainda está a ponderar se regressa em 2027 para uma 24.ª temporada no campeonato, numa fase em que soma três pontos em 2026 e em que a Aston Martin e a Honda enfrentam dificuldades com o conjunto competitivo. Alonso afirmou que não tinha falado com Ben Sulayem, mas que mantém contacto semanal com Domenicali. “Não falei com ele, mas falo regularmente todas as semanas com o Stefano [Domenicali], porque a Fórmula 1 não pode continuar desta forma. Não podemos esperar até 2031 para ter um desporto adequado, pelo que penso que é minha responsabilidade ajudá-los, com a minha experiência, a fazer o que pudermos para melhorar este tipo de coisas.”
O piloto criticou a influência do estado de carga da bateria na prestação dos monolugares nas curvas rápidas, usando a Curva 12 como exemplo. Alonso afirmou que não deveria ser possível que Michael Clayton, responsável de imprensa da Aston Martin, fosse mais rápido do que Max Verstappen nessa curva apenas por dispor de mais bateria, sustentando que deveria ser Verstappen a fazer a diferença.
O espanhol tem sido crítico dos regulamentos de 2026, por considerar que as curvas de alta velocidade se transformaram em “estações de carregamento” das baterias: “É triste, de certa forma, com esta geração de carros, chegar a um circuito muito bonito como este, com os desafios que existem aqui, como La Monumental, e a contribuição do piloto ser praticamente nula”, afirmou Alonso.
O piloto exemplificou a crítica através da Curva 12, defendendo que a velocidade nessa zona deveria depender da coragem e das qualidades do piloto, e não da carga disponível. “Em Fórmula 1 ou no desporto motorizado, deveria ser assim: na Curva 12, se o Michael for mais corajoso do que eu, é mais rápido. Se eu tiver mais atributos, sou mais rápido do que ele. É assim que deveria ser na qualificação, mas agora depende apenas de quanta carga tenho na bateria, e serei mais rápido ou mais lento.”
Foto: Philippe Nanchino /MPSA
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