Bleap lança transferências Brasil-Europa via stablecoins
No fim de junho, a Bleap, ‘fintech’ na área dos criptoativos fundada por dois portugueses, revelou que conseguiu uma autorização ao abrigo do regulamento MiCA na Letónia, o que permite à empresa prestar serviços deste tipo em toda a União Europeia (UE). Agora, a portuguesa Bleap, fundada pelos ex-Revolut João Alves e Guilherme Gomes, anunciou uma nova funcionalidade que permite a brasileiros que vivem na Europa movimentarem dinheiro a partir do Brasil de forma mais barata e rápida, substituindo a tradicional rede Swift por stablecoins.
A Bleap diz que as suas transferências Brasil-Europa são “mais baratas que a Wise”, o principal benchmark do mercado de transferências internacionais baratas. A Wise (anteriormente chamada TransferWise) é uma fintech britânica especializada em transferências internacionais de dinheiro com taxas baixas e transparentes.
A solução da Bleap integra o PIX na Europa: o cliente envia reais através do sistema de pagamentos instantâneos brasileiro e recebe euros diretamente na conta Bleap em segundos, à taxa de câmbio média de mercado (a mesma que aparece numa pesquisa “BRL para EUR” no Google), com 0% de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras, que é um imposto federal brasileiro que incide sobre diversas operações financeiras) e sem taxa de transferência. Toda a infraestrutura de stablecoins permanece invisível para o utilizador, garante a Bleap.
“Os corredores baseados em Swift foram criados para bancos movimentarem dinheiro para outros bancos, um sistema lento e caro para pequenos montantes, e não para um brasileiro enviar dinheiro para casa ou movimentar o seu próprio dinheiro para a Europa quando emigra”, afirmou João Alves, CEO da Bleap.
Em vez de depender da rede Swift (com comissões a bancos correspondentes) ou de criar entidades locais com licenças de transmissão de dinheiro em cada país, a Bleap liquida a parte internacional da operação com stablecoins. Um único parceiro local em cada país converte o valor para a moeda doméstica e faz o pagamento pela infraestrutura nacional. O resultado, explica, é uma transferência praticamente instantânea e com custos significativamente mais baixos do que os corredores tradicionais — e mais barata que a Wise.
Segundo a empresa, a funcionalidade está integrada na mesma conta que os clientes já utilizam para pagar globalmente sem taxas de câmbio: beneficiar de até 20% de cashback; manter poupanças em dólares (e, em breve, também em euros), diz a fintech que acrescenta que tudo é através de uma única conta associada a um IBAN europeu. Brasileiros podem abrir conta apenas com documentos brasileiros e CPF (registo de identificação de contribuintes no Brasil), sem necessidade de visto ou autorização de residência na Europa (sujeito ao processo habitual de verificação).
Financiamento e crescimento
A Bleap já levantou mais de 8 milhões de dólares em duas rondas: uma pre-seed de 2,3 milhões de dólares no final de 2024, liderada pela Ethereal Ventures (de Joe Lubin, fundador da Consensys), e uma seed de 6 milhões de dólares, liderada pela Blossom Capital. A empresa conta atualmente com mais de 70 mil utilizadores.
O capital será utilizado para abrir novos corredores no mesmo modelo, integrar a próxima vaga de utilizadores e continuar a construir uma infraestrutura financeira moderna baseada em blockchain, desenhada para como o dinheiro deve circular hoje.
“Estamos a construir um novo tipo de fintech que funciona através da blockchain. Os nossos fundadores começaram a sua carreira na Revolut e, em 2024, saíram para criar a Bleap”, sublinha a empresa.
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