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“Devemos criar incentivos para que as empresas apostem em contratos sem termo”, defende Pedro Martins, professor da Nova SBE

“Devemos criar incentivos para que as empresas apostem em contratos sem termo”, defende Pedro Martins, professor da Nova SBE

Pedro Martins, professor da Nova SBE, considera que a legislação laboral deveria dar um contributo mais positivo para resolver alguns dos principais problemas do mercado de trabalho português, nomeadamente o nível das remunerações, que continua muito baixo face a países como Espanha, Itália e França, apesar de estes terem legislações laborais menos restritivas. “As remunerações são também resultado das disfunções do mercado laboral e dos níveis de produtividade. Temos agora o contexto da Inteligência Artificial(IA), que vai condicionar a forma como o trabalho e os trabalhadores se organizam. É necessário, por isso, redesenhar a reforma laboral tendo em conta o crescimento global da IA”, defende Pedro Martins”, defendeu no painel “O que era necessário que mudasse” uma reflexão profunda sobre o modelo de relações laborais em Portugal.
Pedro Martins considera que a legislação laboral é um dos fatores que contribuem para os baixos níveis de produtividade e de remuneração em Portugal. “Quando as empresas começam a crescer, o grau de cumprimento da legislação é variável consoante a dimensão e o crescimento das empresas. Se queremos mudar o nosso paradigma e alcançar níveis de remuneração mais elevados, temos de olhar de forma objetiva para a legislação que temos e identificar as áreas em que podemos evoluir”, afirma.
O professor da Nova SBE aponta ainda a segmentação do mercado de trabalho como um dos problemas que Portugal deve combater. “Temos um problema de segmentação do mercado de trabalho e devemos combater os efeitos desse problema, nomeadamente a excessiva utilização de contratos a termo. Devemos criar incentivos para que as empresas apostem em contratos sem termo”, defende.
Pedro Martins alerta ainda para a perda de representatividade dos sindicatos em Portugal, que considera estar a criar um afastamento entre os trabalhadores e as estruturas que deveriam representá-los. “Há uma perda muito grande de representatividade dos sindicatos em Portugal. Cria-se uma falta de ligação entre os trabalhadores e quem está efetivamente a representar os próprios trabalhadores”, afirma.
Sobre o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho, o professor da Nova SBE considera que existem oportunidades significativas de colaboração entre trabalhadores e tecnologia. “Consegue-se colaborar e produzir com a IA, e isso encerra enormes oportunidades. Agora importa trazer a segunda dimensão do conceito: a segurança”, defende.

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