GP de Espanha F1: Traçado não convenceu, falta de ultrapassagens estragou a festa
A expetativa em torno de Madring era enorme. A exigência do traçado,a curva Monumental… pareciam estar reunidas todas as condições para um grande espetáculo. Mas a realidade foi diferente e os pilotos não gostaram da falta de oportunidade de ultrapassagens e pedem mudanças.
Depois de um fim de semana de corrida em Madring, são poucos os motivos para ficarmos verdadeiramente encantados com a pista espanhola. Nem tudo foi mau, mas ficou a clara sensação que foi um evento que ficou pronto à última hora e as imagens que foram chegando de certos lugares das bancadas revelaram algum improviso e soluções de última hora para receber a F1. E quanto ao espetáculo em pista, muito se falava da exigência, da la Monumental, mas no final a corrida acabou por ter menos ultrapassagens concluídas (4) que o GP do Mónaco. A qualificação foi interessante mas o resto do espetáculo deixou a desejar.
Não fosse o Virtual Safety Car de Lance Stroll a baralhar a corrida, teria sido ainda mais aborrecido. Podemos dizer que o que aconteceu em Madring foi um pouco o inverso do que aconteceu na primeira visita em Baku. Se o GP do Azerbaijão apresentava um traçado pouco interessante no papel que se tornou numa das pistas que melhor espetáculo tem proporcionado, Madring parecia muito mais interessante nos primeiros planos e acabou por desapontar. Mas, tal como aconteceu em Baku, há mudanças que podem ser feitas. Há potencial, há muita margem para melhorar e esse trabalho deverá ser desenvolvido nos próximos meses, até para atender aos pedidos dos artistas que foram claros nas suas críticas.
A opinião dos pilotos
Kimi Antonelli, Max Verstappen e Lando Norris concordaram que o Madring é um circuito exigente e divertido numa volta de qualificação, mas criticaram a quase inexistência de oportunidades de ultrapassagem na estreia do Grande Prémio de Espanha.
Antonelli destacou a segunda chicane como um ponto onde uma tentativa de ultrapassagem tende a acabar em contacto: “Definitivamente não cria oportunidades de ultrapassagem e não incentiva a tentar uma manobra, porque em 80% das vezes podes acabar por ter contacto”, afirmou Antonelli. “Especialmente na segunda chicane: se eu tivesse virado, eu e o Lando teríamos tocado e provavelmente ido parar ao muro, bloqueando a pista”, explicou. “Há algumas curvas que precisam de ser alteradas para criar mais oportunidades de ultrapassagem. Numa volta de qualificação é agradável, mas, na corrida, ficas simplesmente preso atrás.”
Max Verstappen resumiu a posição do colega de pódio sem acrescentar reservas: “Exactamente isso.”
O neerlandês já tinha apontado, antes da corrida, para o problema das travagens em curva. Na sua perspetiva, quando um piloto é obrigado a travar e a mudar de direção em simultâneo, deixa de existir uma verdadeira possibilidade de colocar o carro ao lado do rival numa manobra de ultrapassagem.
This view of the start at the MADRING! 🤯💪#F1 #SpanishGP pic.twitter.com/tJOu512rgk
— Formula 1 (@F1) September 13, 2026
Norris propõe mudanças concretas
Norris foi o mais específico na identificação de possíveis soluções. O piloto da McLaren considera que a zona final do circuito pode ser redesenhada de forma relativamente simples, eliminando as curvas 18 e 19 para criar uma reta mais longa antes de uma travagem forte para um gancho na curva 20.
“Há alterações óbvias que deveriam fazer. Deviam tirar as curvas 18 e 19. São inúteis. Deviam fazer uma reta maior até um gancho”, afirmou Norris. “Não sei como alguém olha para este desenho e pensa: ‘Impecável.’ Há muita margem para melhorar. Podem transformar isto numa pista boa para corridas e estou entusiasmado por voltar no próximo ano se fizerem estas alterações.”
O campeão do mundo insistiu que o Madring tem potencial. A combinação de curvas rápidas, muros próximos e um piso ainda pouco conhecido tornou o circuito desafiante e recompensador em qualificação, mas o britânico entende que isso não basta para criar um bom traçado de corrida.
“É divertida de conduzir e pode ser um grande circuito. Para mim, ainda não é um grande circuito. É ótima em qualificação, mas uma reta da 17 até à 20, com uma entrada muito mais larga e um gancho, criaria oportunidades muito melhores.”
Norris apontou a primeira curva e a curva 10 do Circuito das Américas, em Austin, como referências para uma zona de travagem mais ampla e retilínea, onde dois carros possam chegar lado a lado. A ideia passa por criar um ponto claro de ataque, em vez de depender de erros, cortes de pista ou contactos para alterar a ordem.
“O facto de teres de virar e travar ao mesmo tempo, nas curvas 5, 6 e 7, compromete completamente o propósito de correr”, acrescentou. “Há mudanças simples que podem fazer e outras talvez mais difíceis, mas espero que as façam, porque a corrida seria mais emocionante para todos.”
📻 “Lewis almost shunted into me. He was out of control”
Max Verstappen wasn’t impressed with Lewis Hamilton’s antics on the first lap 👇#F1 #SpanishGP | LAP 2/57 pic.twitter.com/MtXl1w5Qo7
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Um problema reconhecido no pelotão
As críticas não se limitaram aos três primeiros classificados. Gabriel Bortoleto classificou o lado competitivo do traçado como “terrível”, enquanto Oscar Piastri afirmou que apenas o Mónaco é mais difícil para ultrapassar na Fórmula 1 atual e também apontou a chicane das curvas 5 e 6 como uma área a rever. Também Alex Albon teve uma opinião semelhante:
“Espero que haja abertura para fazer algumas alterações ao traçado para o próximo ano”, afirmou Alex Albon. “Se os carros de F3 não conseguem ultrapassar, então sabemos que não vai haver ultrapassagens durante todo o fim de semana. Acho que bastam algumas alterações para resolver o problema. De resto, sinceramente, não é um mau circuito. É bastante divertido de conduzir, mas, tal como se viu nas corridas, é bastante aborrecido. Entre a Curva 3 e a Curva 5… Acho que toda essa zona precisa de ser reformulada, talvez com zonas de travagem mais retas”, disse o piloto da Williams. “Precisamos de eliminar aquela chicane. É boa para o espetáculo, mas não é boa para a corrida. E a curva inclinada, por mais fantástica que seja, não está a funcionar suficientemente bem na Curva 13. A Curva 13 talvez precise de ser uma curva mais lenta, com uma zona de travagem maior“.
Nico Rosberg, ex-piloto e agora comentador de F1 disse inclusive que se devia responsabilizar Carlos Sainz, que é o embaixador da pista, por estar ao lado de um traçado que não permite ultrapassagens e que terá de ser refeito para permitir pelo menos uma boa zona de ultrapassagens.
Sky Sports 🇬🇧 critica el trazado del @madring_oficial y Nico Rosberg aprovecha para pegarle un palo a Carlos Sainz.
🎙️ “¿Por qué diseñan una pista donde no se puede adelantar?”
🗣️ “Y Carlos Sainz es el embajador, así que tenemos que criticar a Sainz”. pic.twitter.com/96NlMV2rOK
— Señor de los Medios 🕵🏻 (@MedF1osTV) September 13, 2026
Até o próprio Carlos Sainz reconheceu que o traçado teria de ser revisto no futuro:
“Sem dúvida, acho que o circuito vai sofrer algumas melhorias no futuro. Acho que todos os circuitos, todos os circuitos de Fórmula 1 que visitamos pela primeira vez, sofrem alterações. Veja-se o caso de Baku; especialmente os circuitos citadinos, acho que é preciso ter uma mente aberta às mudanças sugeridas pelos pilotos. Vamos sugerir as alterações e ver quanta flexibilidade existe. Mas para o nosso primeiro Grande Prémio, está a correr muito bem. Acho que todos os pilotos estão a gostar. Estamos todos a gostar da volta de qualificação aqui. Só precisamos de garantir que também temos uma boa pista de corrida e não apenas uma boa pista de qualificação.“
A estreia do Madring deixou, assim, uma imagem dividida: um desafio técnico apreciado pelos pilotos numa volta lançada, mas um circuito ainda longe de cumprir a exigência fundamental de permitir corridas competitivas. A Fórmula 1 regressará a Madrid em 2027, e os pilotos esperam que os responsáveis aproveitem para introduzir mudanças capazes de transformar o potencial do circuito em melhores corridas.
It’s a busy grid at the first Grand Prix at the MADRING! 😎👀#F1 #SpanishGP pic.twitter.com/DiLYY0yXw2
— Formula 1 (@F1) September 13, 2026
Foto: Philippe Nanchino /MPSA
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