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IA afunda com tecnológicas a defender abrandamento. Trump e China já reagiram

IA afunda com tecnológicas a defender abrandamento. Trump e China já reagiram

As ações ligadas à Inteligência Artificial (IA) estão a sofrer perdas esta segunda-feira, 14 de setembro, depois dos líderes de várias empresas pedirem um abrandamento no desenvolvimento da tecnologia.
Depois de anos a colocar o pé no acelerador do investimento, o líder da Anthopic Dario Amodei veio pedir às empresas do setor para desacelerar esforços, para evitar o uso errado da tecnologia.
O apelo foi apoiado tanto por Elon Musk da xAI como por Sam Altman da OpenAI, com este último a revelar que não vai haver entrada em bolsa este ano, por razões de segurança.
Outra das razões, não indicada, é que os custos de financiamento estão a disparar neste momento, com energia mais cara, inflação elevada, taxas de juros a subir e ‘yields’ das obrigações a aumentar.
“Se a corrida da IA materializar-se lentamente, a questão principal passa a ser: quem paga toda a infraestrutura? Os compromissos com empréstimos, dívida e energia vão manter-se, mesmo que a procura e receitas abrandem. E isso pode aumentar o risco do crédito na história da IA”, segundo Ipek Ozkardeskaya da Swissquote, citada pela “Reuters”.
Na pré-abertura de Wall Street, a Nvidia e a AMD caíram 3%, com a Meta e a Amazon a caírem mais de 1%.
Na Europa, a ASML caiu 6%, com a Infineon a descer mais de 8%, com a Siemens Energy a descer mais de 7%.
Na Ásia, o investidor no ChatGPT, Softbank, desceu mais de 13%, com a produtora de chips de Taiwan TMSC a cair mais de 1%.
No seu apelo, o líder da Anthropic avisou que, daqui a 6-12 meses, os agentes de IA, podem ser “capazes de tomar conta de toda a internet potencialmente causando danos de centenas de milhões de dólares”.
“As pessoas a construir IA acreditam seriamente que pode matar-nos a todos até ao final da década”, escreveu o especialista da Anthropic Jacob Coxon.
Por sua vez, Sam Altman considera que os riscos de extinção humana são “inaceitáveis”.
A China já respondeu aos receios, considerando que os executivos norte-americanos estão a tentar incutir medo.
“Incutir medo, confrontação, concorrência só vai criar disrupções ao processo global de IA”, disse Guo Jiankin, porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, citado pela “Reuters”.
“Não construir a tecnologia, priva a humanidade de benefícios ou simplesmente coloca a IA nas mãos de poderes autoritários, mas construir muito rapidamente é imprudente”, segundo Amodei.
Donald Trump já respondeu aos receios: “são forças muito negativas”, desvalorizando os avisos, defendendo que os EUA devem manter-se na liderança da indústria.
Também na China, o editorial do jornal Global Times, apoiado pelo estado, criticou o ensaio de Amodei: “tirado do livro da guerra fria”, defendeu, apontando que tenta desacelerar os esforços chineses.
O banco Morgan Stanley acredita que os gastos com IA vão ultrapassar 1,2 biliões de dólares até 2027.
“A questão principal é se isto é o primeiro sinal de que o ciclo extraordinário de investimento em IA vai moderar-se. Por agora, parece improvável. Mas a corrida competitiva entre empresas e países continua intensa, e é difícil imaginar as empresas a recuarem voluntariamente enquanto os rivais continuam a avançar”, defendeu o Deutsche Bank.´
A Anthropic está em vias de entrar em bolsa, com a operação a ter lugar em outubro. A Nvidia pode vir a ser um dos principais investidores.
“No curto prazo, estes avisos podem pesar nas ações de IA e de chips. As suas valorizações assumem uma forte procura a uma grande velocidade de progresso tecnológico. Quando as expetativas estão tão altas, mesmo um possível atraso” pode vir a ter impactos, avisou Charu Chanana do Saxo Bank.

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