Nasdaq afunda mais de 1,50% com apelos de líderes tecnológicos a travar o desenvolvimento da IA
Os futuros do Nasdaq abriram esta segunda-feira com um gap e negoceiam em terreno negativo, com uma desvalorização superior a 1,50%. O movimento surge depois de alguns dos principais executivos do setor tecnológico terem defendido um abrandamento no desenvolvimento da inteligência artificial, invocando preocupações de segurança.
“As empresas ligadas à inteligência artificial estão a ser penalizadas pelos apelos de alguns dos principais executivos do setor a um abrandamento do desenvolvimento da tecnologia, devido a preocupações com a segurança”, comentou Henrique Valente, analista da ActivTrades Europe. Segundo o analista, estes receios somam-se às dúvidas já existentes sobre o retorno dos elevados investimentos feitos em inteligência artificial: apesar de as receitas estarem a crescer, mantém-se a incerteza sobre quando esse crescimento se traduzirá em ganhos suficientes para justificar a dimensão da despesa.
O alerta partiu de Dario Amodei, presidente executivo da Anthropic, que no sábado apelou às empresas de inteligência artificial para que abrandassem o ritmo a que avançam as capacidades dos seus modelos. Elon Musk, líder da xAI, e Sam Altman, presidente executivo da OpenAI, manifestaram concordância com a posição de Amodei. Dario Amodei defendeu o abrandamento num longo ensaio publicado na rede social X, alertando que os riscos da inteligência artificial são sérios precisamente por se tratar de uma tecnologia tão poderosa.
O episódio surge dias depois de um investigador da Anthropic, Jacob Coxon, se ter demitido afirmando acreditar que a IA poderá, no limite, colocar em causa a sobrevivência da humanidade ainda antes do final da década, o que reacendeu o debate sobre os riscos do setor.
A título de exemplo, a Anthropic reconheceu que houve clientes a usar o Claude para tentar desenvolver armas biológicas.
O clima de cautela levou também a OpenAI a rever os seus planos: Sam Altman disse à revista Fortune, em declarações publicadas no sábado, que a empresa não deverá avançar com uma oferta pública inicial este ano, considerando que, face a tudo o que está a acontecer em torno da segurança, este não seria o momento indicado para o fazer. Segundo a CoinCentral, a OpenAI poderá adiar a operação para 2027, enquanto a Anthropic mantém a intenção de avançar com a admissão à negociação no Nasdaq ainda este outono.
As perdas nos futuros tecnológicos, que segundo diferentes agências variam entre 1,5% e 1,8%, estão a ser lideradas pelos fabricantes de chips: a Nvidia recuava cerca de 3% e a CoreWeave, a Arm Holdings e a Marvell perdiam 6% nas negociações pré-mercado.
Ásia sob pressão: SoftBank, SK Hynix e Samsung em queda acentuada
O movimento de aversão ao risco fez-se sentir com particular intensidade na Ásia. As ações da SoftBank, que detém uma participação na OpenAI, fecharam a sessão japonesa com uma queda de quase 11%. O índice sul-coreano Kospi afundou 3,3%, penalizado por uma quebra de 6,4% na fabricante de chips SK Hynix, enquanto a Samsung também recuou, acompanhando a correção nos valores ligados a semicondutores.
Petróleo e Fed juntam-se à pressão sobre os mercados
Ao fator tecnológico soma-se a subida do preço do petróleo, que continua a alimentar as pressões inflacionistas e a reforçar as expectativas de uma decisão mais restritiva por parte da Reserva Federal na reunião de quarta-feira. Segundo a CoinCentral, o crude Brent negoceia perto dos 108 dólares por barril, uma subida de cerca de 3%, depois de a Arábia Saudita ter encerrado um oleoduto estratégico e de o conflito no Médio Oriente continuar a perturbar a oferta. A mesma fonte indica que as apostas dos investidores numa subida da taxa diretora aumentaram para 86% depois de o relatório da inflação de sexta-feira ter surpreendido em alta.
A combinação de receios sobre o ritmo de desenvolvimento da inteligência artificial, a subida dos preços da energia e a expectativa de um Fed mais agressivo compõe, assim, um início de semana particularmente adverso para os mercados acionistas.
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