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Noruega quer impor penas de prisão para quem negociar com colonatos israelitas na Cisjordânia

Noruega quer impor penas de prisão para quem negociar com colonatos israelitas na Cisjordânia

De acordo com uma proposta de lei que deverá ser analisada pelo parlamento norueguês este outono, o país prepara-se para impor penas de risão até três anos para indivíduos ou empresas que negoceiem com os colonatos ilegais erigidos por Israel na Palestina, nomeadamente na Cisjordânia. O ministro norueguês das Relações Exteriores, Espen Barth Eide, deu a conhecer os contornos da proposta, que tem por base a proibição do comércio com estes colonatos.
“Os argumentos da nova lei só saem fortalecidos porque a situação na Cisjordânia piorou ainda mais”, disse. E acrescentou que vários outros países estão a adotar medidas semelhantes. A proposta de lei norueguesa abrangeria bens e serviços, incluindo atividades relacionadas com a construção. O comércio com os colonatos é relativamente limitado, envolvendo vinho e alguns produtos agrícolas, afirmou Eide.
Eide descreveu a medida como “a escala mais baixa de sanções que podem ser impostas contra a ocupação. A ocupação não deve ser lucrativa”. A economia israelita está intimamente ligada aos colonatos, já que eles são parte integrante do Estado, recordam os analistas que apoiam as medidas.
O ministro afirmou que a medida faz parte de uma iniciativa internacional mais ampla que tenta lançar ações mais enérgicas em relação aos colonatos israelitas, que crescem todos os dias – uma vez que são defendidos e incentivados pela extrema-direita que faz parte do governo liderado por Benjamin Netanyahu.
A proibição proposta pela Noruega também abrangeria Jerusalém Oriental, que Israel considera parte da sua capital. Eide disse que espera uma resposta ponderada dos Estados Unidos aos países que consideram impor sanções contra os colonatos.
O Reino Unido já adotou restrições à compra de produtos provenientes desses colonatos. Canadá, Dinamarca, Finlândia, França, Islândia, Irlanda, Polónia, Portugal, Espanha, e Suécia estão a preparar medidas que seguem no mesmo sentido.
 
Rangel contra ações israelitas
O ministro das Relações Exteriores de Portugal alertou esta segunda-feira, 14 de setembro, para que a expansão dos colonatos ilegais israelitas e a crescente pressão económica na Cisjordânia ocupada e em Jerusalém Oriental estão a corroer as perspetivas de estabelecimento de um Estado palestiniano viável. Paulo Rangel, afirmou que o plano de colonatos E1 de Israel é “extremamente pernicioso” porque dividiria a Cisjordânia, isolaria Jerusalém Oriental e é incompatível com uma solução de dois Estados.
Rangel manifestou as suas opiniões após uma reunião de trabalho com a ministra dos Negócios Estrangeiros e dos Expatriados da Palestina, Varsen Shahin, naquela que foi a primeira visita oficial da governante a Portugal após o país ter reconhecido formalmente o Estado da Palestina, a 21 de setembro de 2025.
A retenção, por parte de Israel, das receitas fiscais palestinas equivale a um “estrangulamento brutal” das finanças da Autoridade Palestina, impedindo o funcionamento da economia, afirmou o ministro esta segunda-feira, 14 de setembro. Rangel também citou o encerramento de escolas cristãs em Jerusalém Oriental como prova do agravamento das condições na região. Rangel afirmou que a solução de dois Estados é a única forma de garantir a coexistência pacífica entre israelitas e palestinianos.
Israel anunciou na semana passada o encerramento do consulado britânico em Jerusalém Oriental em resposta aos planos do Reino Unido, França e Canadá de bloquearem as importações provenientes de colonatos israelitas ilegais na Cisjordânia.

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