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Métodos de pagamento portugueses ‘legitimam’ sites de jogo ilegais, acusa APAJO

Métodos de pagamento portugueses ‘legitimam’ sites de jogo ilegais, acusa APAJO

A presença de meios de pagamento portugueses em sites de jogo ilegais estão a ‘legitimar’ os sites de jogo ilegais, acusa a Associação de Apostos e Jogos Online (APAJO), de acordo com dados recolhidos a partir do estudo “Hábitos de Jogo Online dos Portugueses”, realizado pela Aximage revelado esta quarta-feira.
Destaca a APAJO que os dados recolhidos através de 1000 entrevistas permitem concluir que existem dois fatores que assumem importância significativamente superior entre os utilizadores que recorrem a operadores ilegais: a recomendação de influenciadores (13,7%) e sobretudo a presença de meios de pagamento legítimos disponibilizados. Este último fator é referido por 21,3% dos inquiridos que usam sites ilegais, em comparação com apenas 12,9% dos que recorrem apenas a sites licenciados.
“Para a desinformação contribui ainda a disponibilização de métodos de pagamento portugueses. Tudo junto, torna-se difícil que o consumidor perceba claramente que está perante uma entidade sem licença. A diferença entre quem cumpre as regras e quem não cumpre tem de ser muito mais clara e palpável”, acrescenta Ricardo Domingues, presidente do Conselho Diretivo da APAJO.
Em 2025, a APAJO lançou um repto ao Governo, Assembleia da República, reguladores envolvidos e restantes stakeholders públicos e privados para que em 2026, ano que marca o décimo aniversário do lançamento dos primeiros operadores licenciados.
Neste repto que a APAJO lançou para discussão, esta associação foca a sua prioridade nos métodos de pagamento e propõe “acabar permanentemente com a disponibilização por operadores ilegais de métodos de pagamento associados a bancos portugueses, como o Multibanco, o MBWay e o Pay by Bank (transferência direta de conta bancária, nomeadamente com recurso a Open Banking)”.
Ao JE, Ricardo Domingues, presidente da APAJO, recorda que processar pagamentos para o jogo ilegal “é um ilícito mas sem capacidade de execução, ficamos naquela zona cinzenta em que percebemos que, voluntariamente, os meios de pagamento nunca dirão que vão cortar”.
40% dos jogadores utilizam plataformas ilegais
Outra conclusão importante deste estudo: 40% dos jogadores online portugueses continuam a utilizar plataformas sem licença para operar em Portugal.
A edição de 2026 deste estudo marca o décimo aniversário do lançamento dos primeiros operadores licenciados em Portugal e mostra que, pelo quinto ano consecutivo, a APAJO confirma a ausência de evolução significativa no combate ao jogo ilegal.
“A persistência deste fenómeno é igualmente visível no ranking das plataformas utilizadas: pelo sétimo ano consecutivo, os mesmos quatro operadores não licenciados surgem entre as 15 plataformas mais utilizadas pelos jogadores portugueses, superando várias marcas que operam ao abrigo de uma licença nacional. Uma quinta marca não licenciada surge ainda na 16.ª posição”, destaca a APAJO no comunicado com base neste estudo.
Também ao nível da despesa mensal se verifica uma diferença significativa. 77% dos utilizadores exclusivos de plataformas licenciadas gastam até 50 euros por mês, sendo que apenas 8% gastam 100 euros ou mais. Entre os jogadores que recorrem a plataformas não licenciadas, a percentagem que gasta 100 euros ou mais duplica para 16%.
Mais bónus, melhores odds e maior oferta

Através deste estudo, em que foram inquiridos 1000 utilizadores de jogos online, a APAJO pretendeu ainda perceber o que continua a atrair os jogadores para os sites ilegais. E a resposta é clara: promoções, preço e oferta continuam a ter um peso determinante na escolha de plataformas não licenciadas. “Mais bónus” é, este ano, a principal razão apontada pelos jogadores, seguindo-se as melhores odds e uma maior oferta de jogos. O maior anonimato surge como a quarta razão mais referida”.
Os dados mostram que mais de três em cada quatro utilizadores que admitem recorrer a plataformas não licenciadas (77,5%) afirmam ainda encontrar nestas plataformas produtos ou serviços que não encontram na oferta licenciada.
“Entre as funcionalidades mais procuradas estão o cashout completo (38,5%), uma maior oferta de apostas desportivas (37,2%), apostas em eSports (33,1%), possibilidade de combinar apostas dentro do mesmo jogo – betbuilder (29,1%), buy bonus (25,7%) e casino ao vivo (25%)”, desta o estudo da Aximage.

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