F1: Yuki Tsunoda relembra a despromoção e o seu maior arrependimento em 2025
Yuki Tsunoda foi despromovido a piloto de reserva da Red Bull, após um ano como piloto titular em que os resultados não foram os desejados. Foi um final de 2025 amargo para um piloto que nunca conseguiu encontrar a fórmula do sucesso. Tsunoda afirmou que não ficou especialmente devastado quando a Red Bull decidiu não renovar o seu contrato no final da temporada passada e reconheceu que antecipava esse desfecho.
Tsunoda foi promovido à Red Bull na terceira ronda da temporada de 2025, mas a equipa comunicou-lhe, no penúltimo Grande Prémio, no Qatar, que seria substituído no final do ano. Uma decisão que não surpreendeu ninguém, incluindo o próprio piloto. Depois de se ter destacado na Alpha Tauri e na Racing Bulls, o jovem japonês aproveitou a despromoção de Liam Lawson para agarrar o desejado lugar na Red Bull. Mas o sonho tornou-se num pesadelo e o piloto revelou que a exigência emocional foi particularmente forte na fase final da temporada.
“Quando me disseram, ainda me lembro, não senti uma desilusão enorme nem fiquei devastado. Obviamente, continuei desiludido e bastante triste por não pilotar no ano seguinte, mas não foi algo que não estivesse à espera. A pressão foi tão intensa na segunda metade do ano que nunca consegui realmente respirar de alívio.”
Apesar dos resultados desfavoráveis e da enorme diferença pontual para Verstappen, Tsunoda considera que não poderia ter feito mais. Nas 22 corridas em que partilhou a Red Bull com o neerlandês, somou 30 pontos, contra 385 do tetracampeão.
“Lutei muito. Lutei mais do que nunca naquele ano de 2025. E, mesmo olhando para trás agora, não tenho muitos arrependimentos. Dei tudo e o resultado não foi algo de que tenha gostado, obviamente, quando ouvi o que me disseram no Qatar. Mas, honestamente, dei tudo o que tinha e, se esse foi o resultado, tenho de o aceitar. Normalmente, consigo perceber o carro que estou a conduzir e as suas características no final do ano. Mas parece que, mesmo depois de Abu Dhabi, eu não sabia que tipo de carro estava a conduzir.”
O japonês identificou como principal erro a tentativa de reproduzir as afinações de Verstappen. Embora mantivesse confiança no próprio estilo de condução, procurou aproximar-se da forma como o colega de equipa trabalhava o carro, uma decisão que acabou por amplificar os problemas de comportamento que já sentia.
“Uma coisa sobre mim é que tenho um ego suficientemente grande para não mudar o meu estilo de condução. Sei o que faço ao volante e acredito em mim. Nunca tento mudar a minha condução por causa de outros pilotos, mesmo que sejam competitivos e rápidos. Ainda aprendi muito com a condução dele, por isso a minha base de pilotagem manteve-se igual. Mas foi provavelmente a primeira vez, desde que comecei, que pensei em mudar o meu estilo e tentar fazer algo semelhante ao Max. O que fiz mais, e o que agora considero ter sido o maior erro no ano passado, foi tentar replicar as afinações dele.”
Segundo Tsunoda, essas afinações amplificavam precisamente os problemas de sobreviragem e subviragem que já sentia.
“Mesmo sabendo que, por vezes, sentia o carro com muita sobreviragem, o carro do Max, em teoria, tornava-o pior — mais sensível nas mudanças de direção ou com mais tendência para deslizar — eu tendia a escolher essa afinação, mesmo já estando a lutar com a sobreviragem.”
Tsunoda foi mais um piloto a enfrentar a maldição Verstappen”: a dificuldade em encontrar uma afinação que permita extrair rendimento consistente ao lado do neerlandês. Não há evidência de que os monolugares sejam concebidos exclusivamente para o estilo de Verstappen — a equipa rejeita essa ideia —, mas o seu desempenho, as suas preferências e o seu feedback acabam inevitavelmente por influenciar a direção de desenvolvimento. Para pilotos com necessidades diferentes, sobretudo em matéria de estabilidade traseira e resposta da dianteira, essa adaptação pode tornar-se especialmente exigente. E Tsunoda sentiu isso na pele.
Foto: Philippe Nanchino /MPSA
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