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“PISA? É um recuo sério que merece reflexão séria e ação”, alerta Presidente da República

“PISA? É um recuo sério que merece reflexão séria e ação”, alerta Presidente da República

António José Seguro alertou esta quinta-feira que os resultados do PISA referentes a 2025, que determinam os progressos e recuos dos estudantes dos países da OCDE, representam um “recuo sério que merece reflexão séria e ação”. A declaração foi proferida num discurso na Universidade de Lisboa.
Os resultados do PISA determinaram uma regressão dos alunos portugueses de 15 anos para níveis que tinham sido registados no início deste século, com uma perda de cerca de vinte anos de progresso. Num universo de 91 países, Portugal posicionou-se no 30º lugar com descidas expressivas na Leitura, Ciências e Matemática
O Presidente da República começou por referir que é “essencial” destacar que “não estamos sozinhos”. E justificou: “A deterioração dos resultados em Leitura e Matemática atravessa a maioria dos países da OCDE. Este não é um problema exclusivamente português, é um padrão geracional e estrutural que estava a formar-se antes da pandemia e que a pandemia agravou, mas não criou”.

E com esta declaração, Seguro não quer amenizar a preocupação mas diz querer “evitar o debate errado”: “Porque o debate errado já começou. A conversa vai fazer-se sobre disciplina versus indisciplina, sobre exames versus não exames, sobre o regresso ao passado versus o presente que não presta. E esse debate não vai mudar nada. Vai consumir energia que devia ir para as perguntas e respostas certas”.

Sobre a reversão dos ganhos das últimas duas décadas, o Presidente da República alertou que este “é um recuo sério que merece reflexão séria e ação” mas deixou ainda um aspeto do estudo que viu pouco explorado: “Os jovens portugueses são dos mais curiosos e mais persistentes da OCDE. Pois, apenas 20% consideram que a escola foi uma perda de tempo”.

“O problema não é a falta de vontade de aprender. O problema está no que se aprende e como se aprende e na desigualdade socioeconómica que continua a pesar mais em Portugal do que noutros países da OCDE”, sublinha.
Para António José Seguro, “a resposta tem de ser dada por perguntas que tomem em consideração quem somos e o que queremos ser como país, mas também que assumam que todas as gerações são diferentes, e ainda bem que o são”.
E terminou com um recado para o Ministério da Educação: “Fazer novas perguntas, não nos deve distrair da necessidade de nos organizarmos melhor para implementar as respostas, fazê-lo com consistência, com financiamento e monitorização da sua alocação e, acima de tudo, vontade política de longo prazo. Esse é o debate que precisamos de ter”.

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