Portugueses gastaram 3,1 mil milhões em viagens em 2025
Nunca os portugueses viajaram tanto para fora do país como em 2025, ano em que atingiram um máximo histórico de 3,858 milhões de viagens (+12,5% face a 2024), o que levou a despesa total a fixar-se nos 3,1 mil milhões de euros, um aumento de 300 milhões face ao ano anterior, de acordo com os dados da Associação Nacional das Agências de Viagens (ANAV) relativos ao período entre 2016 e 2025, divulgados esta quinta-feira, 17 de setembro.
No último ano foram gastos em média 803,2 euros por viagem, o que significou uma descida de 4,8%, quando comparado com os 844 euros gastos em 2024. No primeiro trimestre de 2026, os residentes em Portugal realizaram 923,8 mil viagens ao estrangeiro, mais 30% do que no mesmo período de 2025.
No primeiro semestre, os débitos de viagens registados pelo Banco de Portugal atingiram 3,159 mil milhões de euros, correspondendo a um crescimento homólogo de 5,3%. Se olharmos ao ano passado estes dados revelam que os débitos de viagens e turismo registados pelo Banco de Portugal atingiram os 7,154 mil milhões de euros, mais do dobro (101,5%) do valor registado em 2016.
“O crescimento trimestral não deve ser anualizado, uma vez que a Páscoa ocorreu em março em 2026 e em abril em 2025, influenciando a comparação homóloga”, indica a ANAV. Entre 2016 e 2025, os preços do transporte aéreo aumentaram 31% e os dos pacotes internacionais 29,6%, acima da inflação geral de 24,9% no mesmo período.
No ano passado 26,7% das viagens externas foram realizadas através de uma agência de viagens ou operador, uma proporção cerca de 4,1 vezes superior ao peso da agência no conjunto das viagens. Apesar da quota recuar 0,9 pontos percentuais, o volume implícito de viagens organizadas aumentou cerca de 8,8%, para aproximadamente 1,03 milhões.
A nível temporal, 65,6% das viagens externas realizadas em 2025 aconteceram fora dos meses de julho, agosto e setembro, sendo que agosto foi o mês com maior peso individual, concentrando 16,3% do total das viagens externas.
Em relação ao destino Espanha foi a principal escolha para viajar para 38,8% dos residentes em Portugal (40,5% em 2024), seguida por França com 9,7% (9,5% em 2024), Itália com 6,3% (6,2% em 2024), Reino Unido com 5,1% (4,7% em 2024) e Cabo Verde com 3,9% (2% em 2024).
Miguel Quintas, presidente da ANAV, salienta que os dados mostram que o turismo emissor português deixou definitivamente para trás a lógica de um mercado concentrado no verão e confirma uma procura internacional cada vez mais diversificada e sofisticada.
“O crescimento do número de viagens, a dispersão da procura ao longo do ano e o aumento do volume de viagens organizadas demonstram que existe um papel cada vez mais relevante para as agências de viagens na informação, comparação, aconselhamento e assistência ao viajante”, afirma.
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