Taxas de juro em Macau e Hong Kong sobem pela primeira vez desde 2023
Os reguladores financeiros de Macau e Hong Kong aprovaram esta quinta-feira 17 de setembro a primeira subida da principal taxa de juro de referência desde 2023, seguindo a Reserva Federal (Fed) norte-americana.
A Autoridade Monetária de Macau (AMCM) aumentou em 0,25 pontos percentuais, para 4,25% a taxa de redesconto, valor cobrado aos bancos por injeções de capital de curta duração, com efeito imediato, de acordo com um comunicado.
O regulador financeiro da região administrativa especial chinesa seguiu assim o aumento anunciado na quarta-feira pela Fed.
A AMCM disse que a subida era inevitável, por a moeda de Macau, a pataca, estar indexada ao dólar de Hong Kong, pelo que “a taxa de juros em Macau é consistente com a taxa de juros em Hong Kong”.
A decisão da AMCM surgiu menos de meia hora depois de a Autoridade Monetária de Hong Kong (HKMA, na sigla em inglês) ter anunciado a subida da taxa de juro de referência, devido ao aumento imposto pelo banco central dos EUA.
O dólar de Hong Kong está indexado ao dólar norte-americano.
Na quarta-feira, a Reserva Federal norte-americana (Fed), o banco central dos Estados Unidos, decidiu, por unanimidade, aumentar as taxas de juro em 25 pontos base, para o intervalo entre 3,75% e 4%, após uma reunião de dois dias.
A Fed não aumentava as taxas diretoras, que orientam os custos dos empréstimos, desde o verão de 2023.
De acordo com projeções apresentadas pelo presidente da Reserva, Kevin Warsh, será provavelmente necessário proceder a uma nova subida das taxas de juro até ao final do ano para combater a inflação.
A subida da taxa de juro surge numa altura em que o crédito malparado tem vindo a cair em Macau, depois de ter atingido um recorde histórico de 57,8 mil milhões de patacas (6,2 mil milhões de euros) em junho de 2025.
De acordo com dados oficiais da AMCM, os empréstimos vencidos caíram, pelo terceiro mês consecutivo, para 46 mil milhões de patacas (4,9 mil milhões de euros), no final de julho passado.
O crédito vencido representava em julho 4,4% dos empréstimos dos bancos de Macau. Uma percentagem que sobe para 4,7% no caso do crédito a instituições ou indivíduos fora da região chinesa.
Ainda assim, a percentagem de crédito bancário vencido em Macau está longe do recorde de 25,3% alcançado em meados de 2001, em plena crise económica mundial causada pelo rebentar da bolha especulativa das empresas ligadas à Internet.
A Autoridade Bancária Europeia, a agência reguladora da UE, por exemplo, considera que os bancos com pelo menos 5% dos empréstimos malparados têm “elevada exposição” ao risco e devem estabelecer uma estratégia para resolver o problema.
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