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Transportes públicos mais caros em metade das capitais europeias. Portugal sobe para 8.º lugar em ranking da Greenpeace

Transportes públicos mais caros em metade das capitais europeias. Portugal sobe para 8.º lugar em ranking da Greenpeace

Os preços dos passes de transportes públicos de longa duração aumentaram em 14 capitais europeias nos últimos três anos, atingindo novos máximos em cerca de metade das cidades analisadas, segundo um relatório da Greenpeace, que coloca Portugal no 8.º lugar entre 30 países europeus em matéria de acessibilidade e disponibilidade de títulos de transporte.
De acordo com o estudo divulgado hoje pela Greenpeace Central and Eastern Europe (CEE), Londres continua a liderar o ranking das capitais com os passes mensais mais caros, com um custo ajustado de 162 euros por mês, seguida de Amesterdão, com 107 euros, e Paris, com 77 euros.
Desde 2023, os maiores aumentos de preços foram registados em Nicósia, onde os passes subiram 67%, Amesterdão (+55%), Madrid (+50%), Bratislava (+32%), Berlim (+29%) e Viena (+26%). Também foram observadas subidas em Copenhaga, Bucareste, Vilnius, Bruxelas, Londres, Estocolmo, Paris e Helsínquia.
O relatório analisou os sistemas de transportes públicos dos 27 Estados-membros da União Europeia, bem como do Reino Unido, Suíça e Noruega, avaliando critérios como o preço, a cobertura territorial, a disponibilidade de passes mensais e anuais, os descontos para grupos vulneráveis e as taxas de IVA aplicadas aos bilhetes.
Entre os 30 países avaliados, Portugal destacou-se como um dos que mais melhorou desde a primeira edição do estudo, realizada em 2023, a par da Eslovénia.
Com 56 pontos em 100, Portugal subiu nove posições, passando do 17.º para o 8.º lugar do ranking europeu. Segundo a Greenpeace, a evolução ficou a dever-se sobretudo à criação do Passe Ferroviário Verde, um título destinado a residentes em Portugal que custa 20 euros por mês e permite utilizar a maioria dos serviços ferroviários do país.
A organização assinala, contudo, que o passe permanece centrado no transporte ferroviário. O relatório refere ainda o anúncio do Governo, feito em agosto, de alargamento da sua validade aos serviços urbanos da CP em Lisboa e no Porto e, posteriormente, à Linha da Fertagus, mantendo-se o preço mensal de 20 euros.
Portugal beneficiou também da aplicação da taxa reduzida de IVA de 6% aos transportes públicos, um dos critérios considerados na avaliação.
No que respeita às capitais, Lisboa melhorou igualmente a sua posição, alcançando 83,86 pontos em 100 e subindo do 15.º para o 12.º lugar.
Segundo a Greenpeace, Lisboa distingue-se por oferecer gratuitidade nos transportes públicos aos jovens entre os quatro e os 23 anos, independentemente da condição socioeconómica, sendo a única cidade analisada, excluindo aquelas onde os transportes são gratuitos para toda a população, a garantir esse benefício.
Os residentes com 65 ou mais anos também podem viajar gratuitamente, enquanto outros passageiros seniores têm acesso a descontos de 50%. Existem ainda reduções tarifárias para desempregados de longa duração e pessoas com deficiência.
O preço do passe mensal regular na capital portuguesa manteve-se inalterado desde 2023, tendo o alargamento dos apoios sociais contribuído para a melhoria da posição de Lisboa no ranking.
Em declarações citadas no relatório, o diretor da Greenpeace Portugal, Toni Melajoki Roseiro, considerou que a subida de Portugal demonstra o impacto das políticas públicas na promoção dos transportes coletivos, defendendo, contudo, a necessidade de reforçar a oferta, a frequência e a integração da rede de transportes.
A Greenpeace apela à criação de mais “passes climáticos” acessíveis em toda a Europa e defende o apoio da Comissão Europeia ao desenvolvimento de um futuro passe climático europeu.
O estudo conclui que apenas oito dos 30 países analisados disponibilizam atualmente transportes públicos gratuitos ou passes universais de longa duração a preços considerados acessíveis.
Luxemburgo, Malta e Eslovénia lideram o ranking europeu, enquanto Finlândia, Grécia e Noruega apresentam os resultados menos favoráveis em termos de acessibilidade económica e disponibilidade de passes nacionais.
A organização ambientalista sublinha ainda que os transportes continuam a ser o único setor da União Europeia onde as emissões de gases com efeito de estufa continuam a aumentar, apontando o transporte rodoviário e a aviação como os principais responsáveis pelo consumo de petróleo no continente.

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