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Chanceler alemão admite dificuldades no entendimento entre a Europa e os EUA

Chanceler alemão admite dificuldades no entendimento entre a Europa e os EUA

O chanceler alemão Friedrich Merz disse que a era dos laços “incondicionais” entre os Estados Unidos e a Europa, construídos desde a Segunda Guerra Mundial, chegou ao fim, pelo menos por enquanto. “Esta era de amizade transatlântica incondicional provavelmente acabou no futuro próximo”, disse Merz aos membros do partido em Berlim, citado pela imprensa germânica. “Do outro lado do Atlântico, estamos a ver uma mudança nas atitudes políticas, uma mudança na avaliação da aliança transatlântica, algo que talvez não pensássemos ser possível”, disse.
Merz, que fazia um discurso de campanha na sede do partido conservador antes da eleição estadual de Berlim, no próximo domingo, 20 de setembro, estabeleceu um contraste entra as relações com o atual presidente, Donald Trump, e o antigo bom entendimento com alguns dos seus antecessores – como foram os casos de John F. Kennedy e Ronald Reagan.
Os comentários do chanceler surgiram no mesmo dia em que falou ao telefone com Trump, numa conversa em os dois “enfatizaram o vínculo especial entre alemães e norte-americanos”, segundo um porta-voz do governo alemão. Ambos discutiram os esforços dos Estados Unidos para encerrar a guerra da Rússia com a Ucrânia, bem como o atrito comercial contínuo no Estreito de Ormuz e agora também no Mar Vermelho.
Trump, recorde-se, elogiou uma vitória da extrema-direita alemã Alternativa para a Alemanha (AfD) nas eleições estaduais do início de setembro, vitória essa que abalou o ‘establishment’ político do país e a própria carreira de Merz, que chegou a ser aconselhado a afastar-se.
Merz tem um histórico de desentendimentos com a administração Trump. Em abril, disse a um grupo de estudantes que os negociadores norte-americanos que tentavam encontrar uma saída para a guerra com o Irão foram “humilhados” pelo regime de Teerão. Ter nomeado esta evidência fez com que presidente norte-americano tivesse respondido com a retirada de cerca de cinco soldados dos EUA estacionados na Alemanha.

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