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Lisboa é a cidade mais feliz do mundo, diz estudo

Lisboa é a cidade mais feliz do mundo, diz estudo

A conclusão resulta do Holiday Happiness Index, elaborado pela BookRetreats em colaboração com a psicóloga clínica e especialista em felicidade Natalie Dattilo-Ryan, ligada à Harvard Medical School. O estudo analisou 47 cidades de todo o mundo.
Com 2.828 horas de sol por ano, 49 m² de espaço verde por habitante e quase 10% dos restaurantes classificados como saudáveis, a segunda maior proporção entre os destinos analisados, Lisboa lidera um ranking que coloca o bem-estar no centro da experiência de viagem. A facilidade de percorrer o destino a pé e a proximidade a diferentes ambientes naturais, da frente ribeirinha às praias da Área Metropolitana reforçam esta combinação.
Lisboa ficou à frente de Helsínquia, Orlando, Atenas e Edimburgo, numa lista em que a capital portuguesa parece ter encontrado a fórmula para uma coisa que os lisboetas já suspeitavam: há poucas coisas que uma esplanada ao sol, uma caminhada até ao miradouro e um bom prato de peixe não possam melhorar.
Segundo o estudo, Lisboa destaca-se sobretudo pela combinação de vários fatores associados ao bem-estar. Quase 10% dos restaurantes da cidade são classificados como “saudáveis”, uma das percentagens mais elevadas entre as cidades analisadas e superior à registada em destinos como Paris, Tóquio ou Nova Iorque.
Depois há o sol. Lisboa soma, segundo os dados utilizados pelo índice, 2.828 horas de exposição solar por ano. É difícil discutir com este argumento quando o objetivo é melhorar o estado de espírito — embora seja aconselhável não transformar a vitamina D numa desculpa para esquecer o protetor solar.
A capital portuguesa também pontua pela possibilidade de fazer muita coisa a pé. O estudo considera que os principais pontos turísticos de Lisboa podem ser percorridos numa caminhada de pouco menos de duas horas. É certo que há uma pequena questão chamada Bairro Alto, Alfama e, em geral, a geografia pouco colaborante da cidade. Mas, na lógica do índice, cada subida pode ser encarada como exercício gratuito.
E há ainda a natureza. Lisboa dispõe de 49 metros quadrados de espaço verde por habitante, segundo os dados utilizados pela BookRetreats. O valor é quase quatro vezes superior ao de Madrid. Para quem considerar que isso ainda não chega, o estudo lembra que as praias da Costa da Caparica e de Cascais estão a menos de uma hora da cidade.
A metodologia parte de cinco fatores considerados relevantes para o bem-estar: exposição solar, qualidade do sono, alimentação saudável, contacto com a natureza e exercício físico. Cada um recebeu o mesmo peso no cálculo final, com os dados das 47 cidades normalizados para produzir uma pontuação global.
A ideia por trás do índice é simples: as férias já não são apenas uma questão de visitar monumentos ou marcar destinos numa lista. Também podem ser uma forma de descansar, estar ao ar livre, caminhar, comer melhor e recuperar do stress.
É aí que Lisboa parece ter encontrado uma combinação particularmente feliz. Tem sol suficiente para convencer até os mais pessimistas, restaurantes suficientes para transformar uma caminhada numa recompensa gastronómica e colinas suficientes para garantir que ninguém confunda férias com sedentarismo absoluto.
Para António Valle, Diretor-Geral da Associação Turismo de Lisboa, “este resultado evidencia que Lisboa mantém a sua identidade e é procurada por isso mesmo. A qualidade, a autenticidade, a gastronomia, o clima e a proximidade à natureza contribuem para uma experiência que quem nos visita valoriza cada vez mais. Lisboa é diferente de todos os outros destinos e é essa a promoção que a Associação de Turismo de Lisboa valoriza na sua estratégia. A capacidade de proporcionar diferentes formas de viver e descobrir Lisboa
e de preservar aquilo que distingue o destino e cria valor para quem nos visita e para quem aqui vive”.
Helsínquia fica em segundo
A capital finlandesa surge em segundo lugar e tem uma vantagem que Lisboa dificilmente consegue imitar: muito mais espaço verde e melhores condições para dormir, graças aos baixos níveis de ruído e poluição luminosa considerados pelo estudo.
Helsínquia dispõe de cerca de 126 metros quadrados de espaço verde por pessoa e obteve a melhor classificação no índice em matéria de qualidade do sono.
Orlando ocupa o terceiro lugar, impulsionada pelos seus 258 metros quadrados de espaço verde por habitante e pelas 2.930 horas de sol anuais. A cidade dos parques temáticos consegue assim juntar montanhas-russas e espaços naturais na mesma receita de felicidade.
Atenas aparece em quarto lugar e é a cidade mais fácil de percorrer a pé entre as analisadas. O estudo atribui-lhe a pontuação máxima de 20 em 20 neste critério. Edimburgo fecha o top cinco, graças à combinação de espaços verdes, alimentação saudável, caminhabilidade e qualidade do sono.

E se o que procura é apenas sol?
Nesse caso, Lisboa perde o campeonato. O título vai para o Dubai, com 3.577 horas de sol por ano, seguido pelo Cairo, Doha, Los Angeles e Orlando.
Lisboa, contudo, parece ter uma vantagem mais difícil de medir: não precisa de escolher entre uma cidade, uma praia, um restaurante ou um miradouro. Pode, pelo menos em teoria, fazer tudo no mesmo dia.
O Holiday Happiness Index não afirma que os lisboetas sejam as pessoas mais felizes do planeta. Mede antes o potencial das cidades para proporcionar umas férias associadas a fatores que podem favorecer o bem-estar.
Mas fica a conclusão mais simpática do estudo: se a felicidade tiver de ser procurada num destino de férias, Lisboa parece ter quase todos os ingredientes no menu.
E alguns vêm acompanhados de uma subida bastante inclinada.

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