David Tremayne: “Por que estou radiante com o regresso do GP de Portugal F1 ao calendário…”
David Tremayne, jornalista do Hall of Fame da Fórmula 1 mostra-se muito contente com o regresso do GP de Portugal de Fórmula 1, em 2027 e 2028, no circuito de Portimão. Este regresso levou-o a recordar com saudade a história da prova portuguesa, desde as primeiras corridas no Porto e em Monsanto até às passagens por Estoril e Portimão.
Tremayne recorda com particular apreço os anos em que o Grande Prémio foi disputado no Estoril, destacando o ambiente do circuito e várias histórias vividas durante a cobertura da Fórmula 1. Entre as memórias está uma reunião de pilotos à qual foi convidado e que contou com Gerhard Berger, Nigel Mansell, Jean-Marie Balestre e Eddie Cheever.
CIRCUITO DA BOAVISTA – STIRLING MOSS EM VANWALL VW10
A história oficial do Grande Prémio de Portugal começou em 1958, no circuito urbano da Boavista, no Porto. Foi nessa prova que Stirling Moss protagonizou um episódio que acabaria por ter consequências decisivas na luta pelo título mundial com Mike Hawthorn.
Moss precisava de vencer para continuar na disputa pelo campeonato e liderou a corrida. Durante a prova, porém, interpretou incorretamente uma mensagem das boxes relativa ao tempo de Hawthorn. Não tentou responder ao novo recorde de volta mais rápida estabelecido pelo rival, perdendo o ponto adicional então atribuído ao piloto que registasse a volta mais rápida.Na última volta, Hawthorn saiu da pista quando Moss se preparava para o dobrar. O piloto britânico foi posteriormente alvo de uma possível desclassificação por ter utilizado uma escapatória e colocado o Ferrari numa zona que não fazia parte da pista. Moss interveio em sua defesa, evitando a exclusão do rival. Eram outros tempos…
No final da temporada, Moss terminou com 41 pontos, contra 42 de Hawthorn, depois de apenas serem contabilizados os seis melhores resultados. Segundo Tremayne, caso tivesse conseguido a volta mais rápida ou não tivesse defendido Hawthorn, Moss teria conquistado o campeonato. O próprio piloto explicou mais tarde a decisão: “Eu senti que era bastante errado que o Mike fosse desclassificado”.
Moss voltou a vencer em Portugal em 1959, no circuito de Monsanto, em Lisboa, enquanto Jack Brabham venceu a edição de 1960, novamente na Boavista. O Grande Prémio saiu depois do calendário até regressar em 1984, desta vez ao Estoril, onde permaneceu até 1996.
Niki Lauda (AUT), McLaren MP4/2-TAG at Estoril during the Portuguese Grand Prix 1984.
Nesse período, o circuito português recebeu algumas das corridas mais marcantes da Fórmula 1. Em 1984, Niki Lauda recuperou de uma partida do 11º lugar para terminar em segundo e conquistar o seu terceiro título mundial por apenas meio ponto sobre Alain Prost. Um ano depois, Ayrton Senna venceu pela primeira vez na Fórmula 1, impondo-se à (muita) chuva ao volante de um Lotus.
Nigel Mansell venceu em 1986 e 1990, Alain Prost triunfou em 1987, e o Grande Prémio de 1988 ficou marcado pelo duelo entre Prost e Senna. Em 1989, Gerhard Berger venceu, enquanto Mansell foi desclassificado depois de ter cometido uma infração na via das boxes e, mais tarde, ter prosseguido a corrida após a indicação de bandeira preta.
A edição de 1992 ficou marcada por um acidente entre Riccardo Patrese e Gerhard Berger, que ocorreu antes da linha de meta e não foi visível da posição onde Tremayne e o jornalista Nigel Roebuck assistiam à corrida. Quem viu, foram todos os espectadores da bancada principal, pois o monolugar de Patrese tocou pneus com pneu no de Berger e levantou num voo, que felizmente acabou bem.
Michael Schumacher (D), Benetton B193 during the Portuguese Grand Prix 1993 at Estoril.
Em 1993, Mika Häkkinen regressou à Fórmula 1 com a McLaren e qualificou-se à frente de Ayrton Senna, mas sofreu um acidente na saída da última curva. Michael Schumacher venceu a corrida e Alain Prost garantiu o quarto título mundial.
Em 1996, Jacques Villeneuve protagonizou uma fabulosa ultrapassagem a Michael Schumacher por fora na última curva, um dos momentos que Tremayne destaca dessa edição. O canadiano venceu à frente de Damon Hill e Schumacher. O Grande Prémio acabou por sair novamente do calendário devido a questões relacionadas com as obras de atualização previstas para o Estoril.
Portugal voltou a receber a Fórmula 1 em 2020 e 2021, desta vez no Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão. Lewis Hamilton venceu ambas as corridas pela Mercedes. Em 2020, conquistou a 92ª vitória da carreira, ultrapassando o recorde de Michael Schumacher, e em 2021 chegou aos 97 triunfos.
O regresso do Grande Prémio de Portugal está agora previsto para 2027 e 2028. Portimão voltará, assim, a integrar o calendário da Fórmula 1, depois das duas edições realizadas durante a pandemia de Covid-19.
FOTOS Arquivo AutoSport/WRI Images
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