F1 em Portugal: F2 e F3 quase garantidas, eventos em todo o Algarve e sinais de elevada procura
O Autódromo Internacional do Algarve prepara o regresso da Fórmula 1 a Portugal em junho de 2027, com regresso garantido no ano seguinte. A prova de Portimão está marcada para 18 a 20 de junho de 2027 e o AIA quer transformar o fim de semana de competição num evento de grande alcance turístico, económico e de entretenimento.
Em entrevista à DAZN, Jaime Costa, CEO do Autódromo Internacional do Algarve, detalhou os principais eixos de preparação: programa de apoio, transportes, capacidade, política de preços, zonas para o público, obras de adaptação e a ambição de assegurar continuidade no calendário para lá do acordo inicial de dois anos.
Fórmula 2 e Fórmula 3 são fortes possibilidades
O programa de apoio do Grande Prémio de Portugal ainda não está fechado. A Fórmula 2 e a Fórmula 3 surgem, contudo, como possibilidades fortes, embora a presença das duas categorias não esteja formalmente confirmada.
O CEO indicou que o AIA trabalha já com várias configurações de paddock, incluindo cenários com Fórmula 2, Fórmula 3, F1 Academy, Porsche Supercup e outras competições de suporte (incluído históricos). A prioridade é garantir espaço e condições logísticas, tanto na área de paddock como nas zonas adjacentes previstas para o público.
“A Fórmula 2 é altamente provável. A Fórmula 2 e a Fórmula 3, uma delas de certeza e quase de certeza que vão estar as duas. Já temos as primeiras plantas do paddock e temos previsto paddock para todos os cenários. Temos as plantas feitas com a F1 Academy, com Porsche, com tudo o que se possa imaginar.“
24 Races. 10 Sprints. 🏁
The 2027 F1 calendar is here! 🤩#F1 pic.twitter.com/GSlCRrpcVb
— Formula 1 (@F1) September 16, 2026
Sem Sprint em 2027
A realização de uma corrida Sprint foi ponderada para a primeira edição do regresso da Fórmula 1 a Portimão, mas o AIA decidiu não avançar com esse formato em 2027.
Segundo Costa, a opção resulta de uma avaliação entre o investimento adicional necessário e o retorno esperado no primeiro ano. O objetivo é concentrar recursos na organização de uma experiência sólida para os espetadores durante os três dias do Grande Prémio, sem acrescentar de imediato a complexidade operacional e financeira associada à Sprint.
“Foi equacionada, mas para o primeiro ano achámos que não era crítico ter uma Sprint. Eu sou um gestor antes de outra coisa. Para mim, era um investimento que não teria um retorno significativo para o primeiro ano. A nossa expectativa de procura é muito grande. Queremos criar uma boa experiência para os espetadores e para os fãs sem incorrer nessa nova camada de entretenimento ou de espetáculo.”
Grande Prémio além da pista
O AIA quer que a experiência associada ao Grande Prémio se prolongue para lá dos três dias em pista. A intenção passa por desenvolver uma programação que comece antes do evento, envolva outras zonas do Algarve e combine desporto motorizado, turismo, gastronomia, cultura, concertos e iniciativas ligadas a negócios e investimento.
O plano inclui uma Fan Zone segmentada, com uma área familiar mais tranquila, espaços dedicados ao desporto motorizado, zonas gastronómicas e áreas de descanso. Jaime Costa apontou ainda para a possibilidade de integrar atividades como surf, golfe e padel, além de concertos no circuito e noutros pontos da região.
“É muito importante para nós conseguirmos devolver ao Algarve e ao país um grande impacto económico em termos do turismo. O nosso objetivo é que a semana comece na terça-feira, antes da corrida, e que, a partir daí, tenhamos um programa muito completo.“
A intenção do AIA é atrair tanto adeptos focados na competição como visitantes que encarem o Grande Prémio como parte de uma estadia turística mais ampla em Portugal. A organização trabalha com a meta de equilibrar a origem do público: 50% de espetadores nacionais e 50% de visitantes estrangeiros.
“Não é uma perspetiva, é um objetivo. O nosso objetivo é ter 50% de público português ou nacional e 50% de público de fora. Se nós quiséssemos só focar no público estrangeiro, os bilhetes seriam bem mais caros do que são.”
Welcome back, Istanbul Park and Portimao! 🇹🇷🇵🇹#F1 pic.twitter.com/oi1tlyZ0Qu
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Mobilidade será prioridade
As acessibilidades são uma das principais preocupações da organização, tendo em conta os constrangimentos de trânsito registados em anteriores edições. A estratégia do AIA assenta numa utilização reforçada de transportes coletivos e numa redução do recurso ao automóvel particular junto ao circuito.
O plano prevê mais de 200 autocarros, com ligações a partir de Portimão, Lagos e de outras localidades que possam integrar a rede. A compra do bilhete deverá incluir uma indicação prévia sobre a forma de chegada ao recinto, sendo a utilização dos autocarros a partir de Portimão e Lagos a opção predefinida.
O estacionamento nos parques intermédios ou nas imediações do autódromo será pago. A organização pretende reduzir a capacidade de estacionamento junto ao recinto como forma de desincentivar a deslocação em viatura própria.
“A prioridade vai ser o transporte coletivo. Vamos ter duzentos e qualquer coisa autocarros. Quem compra o bilhete tem de dizer como é que vai. Tem três opções: os nossos autocarros de Portimão e Lagos, os parques intermédios pagos ou deixar o carro no circuito.”
O AIA trabalha também com a CP e entidades públicas para estudar soluções que permitam reforçar as deslocações até Portimão. A definição das rotas, frequências, capacidade e operação contará ainda com apoio de especialistas externos em mobilidade.
Capacidade e obras
O AIA trabalha com uma meta de cerca de 70 mil lugares sentados para o Grande Prémio de Portugal. O plano inclui estruturas adicionais (peões) após a reta da meta e na zona da curva 15, com capacidade para mais 10 mil pessoas.
Um dos sinais que evidencia elevada procura é o preço aplicado pela F1 aos espaços de hospitalidade que, segundo o responsável da estrutura algarvia, está acima da média dos circuitos europeus, o que confirma a procura e a confiança da competição em preencher os espaços com facilidade.
A data de junho é vista pelo AIA como favorável à região. Apesar do crescimento global do turismo algarvio, junho tem perdido procura em anos recentes. A realização do Grande Prémio entre 18 e 20 de junho poderá, assim, contribuir para reforçar a atividade turística antes do pico de verão.
“Junho é um mês que tem vindo a diminuir de procura no Algarve todos os anos. A procura tem vindo a crescer no ano inteiro no Algarve, mas em junho tem vindo a descer nos últimos anos.”
Em paralelo, o autódromo prepara um programa de investimento focado sobretudo em segurança, vedações e limites de pista. O circuito não deverá passar por uma transformação estrutural profunda, mas terá de responder aos requisitos da FIA e da Fórmula 1, sem comprometer a utilização regular da infraestrutura por clientes particulares, campeonatos nacionais e provas de motociclismo. Miguel Praia está envolvido na definição das soluções relacionadas com pista, segurança e limites de pista. O trabalho procura conciliar as exigências da Fórmula 1 com as necessidades de outras disciplinas que utilizam regularmente o traçado algarvio.
AIA disponível para 2026
Jaime Costa revelou ainda que o AIA foi contactado pela Fórmula 1 como possível solução de recurso para acolher uma corrida em 2026, caso fosse necessário substituir uma prova do calendário. O responsável explicou, porém, que não defendia ativamente uma antecipação do regresso, por considerar que poderia afetar a preparação e a procura do Grande Prémio previsto para junho de 2027.
Ainda assim, o circuito transmitiu à Fórmula 1 que estaria disponível para responder a uma situação excecional.
“Foi um tema discutido duas ou três vezes com a equipa da Fórmula 1. Eu nunca fui muito entusiasta do tema porque ia ter impacto na nossa preparação e potencialmente na procura da corrida de junho de 2027. O que eu disse à Fórmula 1 foi: se precisarem de nós, digam. Não estamos na luta por isso, mas se precisarem de nós saberemos responder.”
O acordo atual assegura o regresso da Fórmula 1 a Portugal em 2027 e 2028. Depois dessas duas edições, qualquer continuidade dependerá da avaliação do evento, da estratégia comercial da Fórmula 1 e da configuração futura do calendário. O AIA pretende consolidar Portimão como candidato a uma presença regular, eventualmente num modelo de rotatividade, mas esse é um objetivo de médio prazo e não uma garantia contratual.
Fotos: Redbull Contente Pool, Arquivo
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