Presidente do INE garante que novo método melhora estimativas sobre população
O presidente do Conselho Diretivo do INE, António Rua, garantiu, esta terça-feira, 22 de setembro, que a nova metodologia usada para estimar a população residente “permite aumentar a consistência e coerência entre fontes” e produzir estimativas anuais da população com maior detalhe.
A garantia foi dada, esta terça-feira, na Assembleia da República, na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública, onde foi ouvido a pedido do PS, sobre a atualização que o INE fez do número de residentes em Portugal, para 11.424.031 pessoas, graças à contabilização de 1.597.539 pessoas estrangeiras.
Antes mesmo de ser questionado pelos deputados o responsável explicou a nova metodologia, que junta dados de variadas fontes e que envolve em cada ano 2,5 mil milhões de registos.
O novo método tem “largas vantagens” e é um “progresso muito significativo” e alinhado com orientações europeias, disse, explicando que as estimativas divulgadas no ano passado foram feitas através do anterior processo e não tinham os dados da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA).
O deputado socialista Carlos Pereira perguntou por que motivo o INE publicou no ano passado uma estimativa da população de 10,7 milhões de habitantes sabendo que faltavam dados da AIMA. E deixou outras perguntas relacionadas com o caso, nomeadamente porque não foi publicada uma nota sobre essa falta.
António Rua respondeu que “o INE procurou articular com a AIMA a obtenção da informação” e que “houve de facto dificuldades” na transmissão de informação, tendo a AIMA revisto substancialmente a informação, revendo em alta no número de cidadãos estrangeiros de 2022 ao ano passado.
Com os novos dados, as contas nacionais serão revistas e apresentadas em março do próximo ano, reafirmou, acrescentando que só depois podem ser atualizados outros indicadores, como o PIB per capita.
A questão do PIB per capita (calcula-se dividindo o Produto Interno Bruto pelo número total de habitantes) acabou por marcar parte da audição, com Adriana Rodrigues, pelo PSD, a questionar como se deve agora interpretar esse dado e a alertar para consequências por não estar certo o número real de residentes.
Mário Amorim Lopes, da Iniciativa Liberal, avisou que com os novos dados “vai cair o PIB per capita” e o mito de que o país estava a convergir com o resto da União Europeia.
O presidente do INE disse que o inquérito ao emprego terá de ser revisto e que haverá impacto nas contas nacionais, mas recusou-se a fazer outros comentários ou “cenários”, remetendo para fevereiro os dados do emprego, e para março as contas nacionais.
Nas contas de Mário Amorim Lopes, mesmo num cenário otimista a queda do PIB per capita será de 5% e isso “é dramático para os portugueses”.
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