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Especialistas destacam consolidação de Portugal no mapa do investimento internacional

Especialistas destacam consolidação de Portugal no mapa do investimento internacional

Depois de uma década marcada pela recuperação da crise financeira, o mercado imobiliário português apresenta atualmente uma dimensão e maturidade muito diferentes, ao mesmo tempo que se afirma como destino de investimento para fundos internacionais. Esta foi uma das mensagens transmitidas no painel ‘Portugal Parnterships, Development and Execution’, inserido na conferência, The District Madrid, que decorre na capital espanhola entre os dias 22 e 24 de setembro.
“Portugal mudou muito nas últimas três décadas. Está hoje, sem dúvida, no mapa do investimento internacional”, afirmou Pedro Rutkowski, CEO da WORX Real Estate Consultants, realçando a crescente atratividade do país junto de investidores estrangeiros, que já não chegam apenas de Espanha.
“Temos hoje uma atratividade muito maior para os fundos internacionais, não apenas espanhóis, mas também provenientes de outras geografias, como os Estados Unidos, o Canadá e outros mercados, que veem Portugal como um destino de investimento cada vez mais relevante”, sublinhou.
Para o CEO da WORX, a evolução do mercado espanhol também ajuda a explicar o interesse crescente por Portugal. “Sabemos que o mercado espanhol está já bastante desenvolvido e, em alguns segmentos e classes de ativos, apresenta níveis de saturação elevados. Neste contexto, Portugal surge como um destino de investimento particularmente interessante, com oportunidades de crescimento e potencial para gerar retornos atrativos”, referiu.
Presente no painel esteve Leonel da Cunha, Project Director do Grupo Casais, que voltou a alerta para a escassez de mão de obra qualificada como um dos principais desafios do setor e que está a levar as empresas a procurarem novas formas de organizar e executar os seus projetos.
“Portugal enfrenta alguns dos mesmos desafios que afetam atualmente o setor da construção em vários países europeus, entre os quais se destaca a escassez de mão de obra qualificada. A estratégia passa por encarar a construção como uma indústria baseada em componentes, permitindo desenvolver diferentes projetos a partir de elementos comuns”, explicou.
Por outro lado, a necessidade de combinar a capacidade financeira, conhecimento local e capacidade de execução está a favorecer modelos de parceria, com o responsável a dar o exemplo do Grupo Casais com a Sonae Sierra para o desenvolvimento de projetos de build-to-rent.
“Trata-se de uma operação pioneira no mercado português, com investimento integralmente privado”, disse, acrescentando que o primeiro projeto encontra-se em construção no Porto, estando previsto o arranque de um segundo empreendimento em Gaia. “Paralelamente, estão a ser analisadas novas oportunidades de investimento na região de Lisboa”sublinhou.
Défice de habitação cria oportunidades
A escassez de oferta habitacional continua a ser uma das principais oportunidades identificadas pelos investidores e promotores.
“A história de sucesso que Portugal tem vivido no setor imobiliário ao longo da última década é significativa”, afirmou António Velho da Palma, CEO da Alecrim Real Estate.
O responsável também presente no painel destacou a recuperação do mercado imobiliário comercial desde a pandemia, com um aumento da atividade e do investimento.
“Atualmente, estão a concretizar-se operações em vários segmentos, nomeadamente na hotelaria, no setor industrial e nos centros de dados. As oportunidades, por isso, não se encontram apenas nos ativos geradores de rendimento, mas também no desenvolvimento imobiliário”, realçou.
O CEO identifica duas grandes áreas de oportunidade no mercado português. A primeira é o build-to-sell, onde o mercado apresenta um desempenho muito positivo.
“Apesar do aumento dos custos de construção e dos preços dos terrenos, entre outros fatores, a procura, tanto nacional como internacional, mantém-se sólida”, afirmou.
A segunda grande oportunidade identificada está no financiamento alternativo, que é visto pelo CEO como um complemento ao financiamento bancário, desde logo pela rapidez de resposta.
“Os bancos estão, em muitos casos, a demorar demasiado tempo a analisar e aprovar operações, enquanto os financiadores alternativos oferecem uma solução mais ágil”, referiu.
Os financiadores alternativos podem também assumir diferentes perfis de risco. “Têm capacidade para analisar diferentes perfis de risco e estão disponíveis para assumir riscos que nem sempre são acomodados pelo financiamento bancário tradicional”, salientou, alertando que esta flexibilidade tem um custo, refletido em taxas de juro mais elevadas.
Também o crowdfunding imobiliário está a ganhar expressão. “Temos assistido a um crescimento significativo das plataformas de crowdfunding, que têm contribuído para facilitar o acesso ao financiamento por parte de promotores de menor dimensão e permitir-lhes avançar com os seus próprios projetos”, afirmou o CEO.

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