Vangest prevê crescimento de dois dígitos no aeroespacial e reforça aposta no setor médico
A Vangest prevê um crescimento anual de dois dígitos na área aeroespacial e identifica os dispositivos médicos como uma das principais oportunidades de expansão nos próximos anos, disse à Lusa o presidente executivo, Rune Bakke.
O grupo português de engenharia e fabrico avançado, com raízes na Marinha Grande, assinala hoje (25 de setembro) 40 anos de atividade, numa altura em que procura acelerar o crescimento internacional nos dispositivos médicos, aeroespacial e indústria avançada. Nesta última, destacam-se os setores elétrico e eletrónico, as soluções de tubagens ou, por exemplo, as infraestruturas para centros de dados associadas ao crescimento digital.
O presidente executivo da Vangest, Rune Bakke, identifica nos dispositivos médicos uma das principais oportunidades de expansão nos próximos anos, nomeadamente nas áreas do diagnóstico, oftalmologia e sistemas de administração de medicamentos.
“É nestas áreas que esperamos um crescimento particularmente significativo, onde a precisão, a qualidade e o fabrico em ambientes regulamentados são críticos”, afirmou à Lusa em respostas por escrito.
Segundo o responsável, que ocupa o cargo desde novembro de 2025, a estratégia passa também por reforçar a participação da Vangest nas fases iniciais dos projetos dos clientes, “integrando ferramentas, industrialização, fabrico e montagem”.
A expansão no setor médico foi igualmente reforçada pelas aquisições realizadas em 2025 no Reino Unido e em Singapura, que permitiram alargar competências e a presença internacional da empresa.
A Vangest opera no setor dos dispositivos médicos há mais de 20 anos e esta área representa atualmente cerca de metade da atividade do grupo.
No aeroespacial, que representa entre 10% e 15% do negócio, Rune Bakke afirmou que “o crescimento, com uma taxa média anual de dois dígitos, resultará de uma maior integração nas cadeias de fornecimento internacionais, do alargamento das capacidades e da capacidade de produção, passando da produção de componentes individuais para um papel industrial mais abrangente”.
Questionado sobre o peso que a área da defesa poderá vir a ter neste crescimento, não avançou uma estimativa.
“Não divulgamos uma percentagem específica relativa ao setor da defesa. A defesa faz parte das oportunidades de crescimento, a par da aeronáutica, mas as informações relativas a programas específicos são confidenciais”, afirmou.
A Vangest trabalha já com empresas como a OGMA e Saab e está, segundo Runne Bakke, em contacto com outros grandes operadores internacionais dos setores aeroespacial e da defesa.
O responsável recusou, contudo, identificar empresas ou projetos, justificando que o grupo não comenta “conversações, programas ou relações com clientes” enquanto estes não forem públicos ou formalmente aprovados.
A empresa desenvolve atividades de maquinação de alta precisão para o setor aeronáutico há mais de uma década e pretende também alargar a sua intervenção a outras fases da cadeia de valor, incluindo tratamentos de superfície e montagem, estando a qualificar novos parceiros em Portugal.
Sobre o impacto dos preços da energia na indústria, afirmou que a Vangest não procura competir sobretudo através do custo.
“Competimos em mercados onde a qualidade, a fiabilidade, a tecnologia e a confiança desempenham um papel mais importante”, disse, acrescentando que a resposta do grupo passa por continuar a aumentar a produtividade e a eficiência da produção.
“Não pretendemos especular sobre a evolução futura dos preços da energia, mas a competitividade energética continua a ser uma questão importante para a indústria europeia, nomeadamente ao nível da disponibilidade, de melhores infraestruturas e de uma maior estabilidade”, acrescentou.
A Vangest emprega atualmente cerca de 450 pessoas a nível mundial, das quais aproximadamente 330 em Portugal, e dispõe de fábricas no Reino Unido e em Singapura.
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