Thorsten Kötschau: Investir em Portugal “não significa fuga ou afastamento” da Alemanha
Thorsten Kötschau, diretor executivo da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã (CCILA), diz ao Jornal Económico (JE) que as empresas alemãs têm “um crescente interesse” em “investir diretamente em Portugal e em expandir as suas atividades aqui”.
Aponta muitas razões para isso – “as empresas valorizam os/as profissionais qualificados/as e multilingues, a estabilidade política, a elevada qualidade de vida, bem como as crescentes competências em tecnologia, digitalização, energias renováveis e serviços industriais”.
E refuta o salto em frente: “O investimento das empresas alemãs em Portugal não significa uma fuga ou um afastamento da Alemanha. As empresas modernas organizam hoje a sua cadeia de valor a nível europeu e internacional”.
Portugal integra o mercado interno europeu e, ao mesmo tempo, possui excelentes ligações à África e à América Latina. “Os investimentos das empresas alemãs em Portugal reforçam também a interligação das nossas duas economias – e contribuem para a competitividade da Europa no seu todo”, acrescenta.
A competitividade é, de resto, um tema fundamental para um motor económico que enfrenta desafios estruturais consideráveis: os elevados custos com energia e mão de obra, a burocracia, a escassez de mão de obra qualificada, a lentidão dos processos de aprovação e uma concorrência global significativamente mais exigente, como elenca Thorsten Kötschau.
O director executivo da CCILA alerta, no entanto, para a necessidade de distinguir entre a competitividade das empresas e a da Alemanha como local de negócios. “A Alemanha continua a dispor de uma forte base industrial, com imensas pequenas e médias empresas inovadoras, bem-sucedidas a nível nacional e internacional. A questão decisiva é saber se as condições-base conseguem acompanhar o ritmo da concorrência global”.
Thorsten Kötschau sinaliza: “Temos de investir e implementar reformas em muito menos tempo e aproveitar melhor as vantagens do mercado interno europeu”.
A competitividade europeia é central nesta edição da Conferência Europeia das Empresas Alemãs. Bienal, organizada pelas Câmaras de Comércio Alemãs no Exterior (AHKs) e pela DIHK, a conferência viaja pela primeira vez na história a Portugal. Nos dias 17 e 18 de setembro em cima da mesa estiveram temas como inteligência artificial, competitividade, inovação industrial, transição energética, segurança, defesa, autonomia estratégica.
As câmaras de comércio são chave entre a economia alemã e os seus parceiros europeus. Estão presentes em mais de 150 locais de 90 países, “Abrem portas, aproximam parceiros e ajudam as empresas alemãs, de forma bastante prática, nas exportações, nos investimentos e na entrada nos mercados”, explica Volker Treier, chefe de comércio externo e membro da direção da Confederação Alemã das Câmaras de Comércio e Indústria (DIHK) ao JE.
“Especialmente em tempos de incerteza geopolítica, esta rede representa uma grande vantagem competitiva para a economia alemã.”
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