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DBRS mantém rating AAA do fundo de resgate europeu, mas revê perspetiva para negativa por pressão da dívida francesa

DBRS mantém rating AAA do fundo de resgate europeu, mas revê perspetiva para negativa por pressão da dívida francesa

A Morningstar DBRS decidiu rever de estável para negativa a perspetiva associada ao rating de longo prazo do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (EFSF, na sigla em inglês), mantendo, contudo, a notação máxima de AAA. A agência confirmou igualmente o rating de curto prazo em R-1 (high), com perspetiva estável.
A decisão surge na sequência da revisão da perspetiva da dívida soberana de França, um dos principais garantidores do mecanismo europeu, que passou de estável para negativa em 18 de setembro. Segundo a Morningstar DBRS, a alteração da perspetiva do EFSF reflete exclusivamente essa revisão aplicada à notação francesa.
O Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) foi um mecanismo financeiro temporário criado em 2010 pelos países da Zona do Euro para ajudar Estados-membros em graves dificuldades financeiras durante a crise da dívida soberana
O Fundo foi assim criado no auge da crise das dívidas soberanas da zona euro para conceder assistência financeira a países em dificuldades e continua a gerir uma carteira significativa de empréstimos, embora tenha sido substituído em 2012 pelo Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) na concessão de novos programas de ajuda.
A agência sublinha que a qualidade de crédito do EFSF depende inteiramente das garantias prestadas pelos Estados-membros da zona euro. Os quatro maiores garantidores são Alemanha, França, Itália e Espanha, que representam em conjunto 83% do total das garantias do fundo.
Apesar da deterioração da perspetiva associada à França, a DBRS considera que o apoio dos Estados-membros à instituição continua a justificar a manutenção do rating máximo. A agência destaca que a mediana ponderada das classificações dos principais garantidores permanece em AA e que o fundo beneficia ainda da diversificação proporcionada por outros países com notação AAA, responsáveis por cerca de 36% das garantias totais.
“A avaliação de suporte do EFSF mantém-se em AAA, refletindo a forte credibilidade do compromisso dos Estados da zona euro para com a instituição”, refere a agência.
A DBRS salienta também que a ligação operacional e institucional entre o EFSF e o Mecanismo Europeu de Estabilidade reforça a perceção de apoio político dos países da moeda única. As duas entidades partilham gestão e mecanismos de monitorização dos empréstimos concedidos.
No plano financeiro, a agência considera favorável o perfil de risco do fundo. A estrutura de sobre-garantias, que pode atingir até 165% da garantia original de cada Estado participante, constitui uma camada adicional de proteção para os credores. Além disso, o EFSF nunca registou perdas na sua carteira de empréstimos.
A instituição tem atualmente três mutuários e, segundo a Morningstar DBRS, todos possuem classificação de grau de investimento, depois de a Grécia ter recuperado esse estatuto em 2023.
A agência alerta, contudo, que o rating do EFSF poderá ser revisto em baixa caso se verifique uma deterioração adicional da qualidade de crédito dos seus principais garantidores ou um enfraquecimento material do compromisso político dos Estados centrais da zona euro com a união monetária. Em sentido contrário, a perspetiva poderá regressar a estável se a tendência associada à classificação soberana de França voltar a melhorar.
A decisão da DBRS representa um sinal de alerta para a crescente atenção dos mercados à situação das finanças públicas francesas, embora, para já, não coloque em causa a classificação máxima atribuída ao principal veículo criado pela zona euro para responder à crise da dívida soberana.

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