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Suíça rejeita por larga maioria tornar mais rígida neutralidade do país

Suíça rejeita por larga maioria tornar mais rígida neutralidade do país

Os suíços rejeitaram este domingo, 27 de setembro, por larga maioria uma iniciativa da direita nacionalista para endurecer a neutralidade do país, que impediria a adesão a alianças militares e a adoção de sanções económicas não decididas pelas Nações Unidas.
Segundo uma primeira projeção do instituto gfs.bern, divulgada 30 minutos após o encerramento das últimas assembleias de voto, 71% dos eleitores rejeitaram a proposta, promovida pela organização soberanista Pro Suisse e apoiada pela União Democrática do Centro (UDC, direita nacionalista).
A iniciativa em causa pretendia inscrever na Constituição uma neutralidade reforçada, excluindo qualquer aliança com uma organização militar e impedindo a Suíça de adotar sanções económicas contra outros países, exceto quando decididas pela ONU.
O resultado mostra que os suíços continuam ligados a uma política de neutralidade “que permite à Suíça adotar sanções e posicionar-se no mundo”, afirmou à televisão pública RTS a deputada socialista Laurence Fehlmann Rielle.
A neutralidade suíça, com vários séculos de História e consagrada na Constituição federal desde 1848, tem estado no centro do debate político desde que Berna acompanhou as sanções da União Europeia contra Moscovo após a invasão russa da Ucrânia.
A questão ganhou também relevância com o primeiro mandato da Suíça como membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU, em 2023 e 2024.
O debate opõe os defensores de uma neutralidade flexível, que permita ao país adaptar a sua política às circunstâncias, aos partidários de uma interpretação mais rigorosa.
“A neutralidade sempre foi utilizada com uma margem de manobra”, afirmou recentemente o ministro suíço dos Negócios Estrangeiros, Ignazio Cassis, defendendo que esta “não significa que a Suíça olhe para o lado quando há uma violação das regras internacionais”.
A Pro Suisse defende, pelo contrário, uma neutralidade “perpétua e armada”, posição apoiada pela UDC, a maior força política suíça e o único dos principais partidos a apoiar a iniciativa.
Moscovo, que acusa Berna de ter abandonado a neutralidade ao acompanhar as sanções europeias contra a Rússia, tinha saudado a proposta.
Os suíços rejeitaram também hoje, com 72% dos votos, segundo uma primeira projeção, uma segunda iniciativa popular destinada a aumentar a produção alimentar nacional e reduzir a dependência do estrangeiro.
A proposta pretendia elevar a autossuficiência alimentar para 70% no prazo de dez anos, contra 42% em 2024, objetivo considerado muito difícil ou mesmo impossível pelo Governo suíço.

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