Altice: STPT defende uso da IA para reforçar competências dos trabalhadores e criar valor
O Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes de Portugal (STPT) defende que a inteligência artificial (IA) seja adotada nas empresas como uma ferramenta para reforçar as competências dos trabalhadores e aumentar a criação de valor, sem substituir a responsabilidade e o julgamento humanos.
Numa nota divulgada esta segunda-feira, o sindicato considera que a IA pode contribuir para aumentar a produtividade, a inovação, a qualidade dos serviços, a eficiência operacional e a capacidade de decisão, mas defende que a sua utilização deve obedecer a princípios de responsabilidade e de supervisão humana.
O STPT recorda que, na negociação do acordo coletivo de trabalho (ACT) para 2026, sindicatos e Comissão Executiva reconheceram a vantagem do uso responsável da IA e acordaram trabalhar em conjunto para adaptar as melhores práticas, com o objetivo de reforçar as capacidades e qualificações dos trabalhadores e promover a eficiência organizacional.
Entre os princípios defendidos pelo sindicato está a necessidade de cada iniciativa de IA ter uma finalidade claramente identificada e demonstrar o valor esperado, de forma a assegurar que os benefícios justificam os custos, riscos e recursos envolvidos.
O STPT entende também que a responsabilidade pela utilização da IA deve permanecer na organização e não ser transferida para os sistemas tecnológicos. Cabe à Comissão Executiva definir os responsáveis pela aprovação, implementação, utilização, supervisão e monitorização de cada solução, tendo em conta a sua natureza e nível de risco.
O sindicato defende ainda uma abordagem proporcional ao risco, com as aplicações de IA a serem avaliadas em função do seu potencial impacto sobre a empresa, trabalhadores, clientes e parceiros. Nas utilizações com impacto significativo sobre as pessoas, deverão existir mecanismos de supervisão e intervenção humana.
A utilização destas ferramentas deverá igualmente respeitar as políticas internas de segurança da informação, proteção de dados e confidencialidade, enquanto a empresa deverá adotar medidas para identificar e mitigar erros, resultados discriminatórios ou outras consequências indesejadas.
Para o STPT, a adoção da IA deve ser acompanhada pelo desenvolvimento das competências dos trabalhadores, cabendo à empresa promover uma cultura de utilização responsável e garantir que os utilizadores conhecem as limitações destas tecnologias.
O sindicato questiona, por isso, a Comissão Executiva sobre quais os processos e decisões que passarão a ser influenciados por IA, o investimento previsto e o retorno esperado, o impacto no emprego e nas funções dos trabalhadores e a formação que será disponibilizada.
Entre as questões colocadas está ainda a forma como serão detetados e corrigidos erros ou decisões inadequadas da IA e, sobretudo, quais as decisões que a Comissão Executiva nunca permitirá que sejam tomadas exclusivamente por uma ferramenta de inteligência artificial.
Em síntese, o STPT defende que a IA seja utilizada como uma tecnologia estratégica ao serviço da organização e dos trabalhadores, criando valor de forma responsável, segura e sustentável, e que a evolução tecnológica seja acompanhada pelo reforço das competências, dos processos e dos mecanismos de gestão.
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