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BCE não tem “solução milagrosa” para questão da dívida francesa, alerta governador do banco central

BCE não tem “solução milagrosa” para questão da dívida francesa, alerta governador do banco central

França terá de resolver a questão da sua dívida crescente internamente e não contar com o Banco Central Europeu (BCE), cortando despesa mesmo na antecâmara de uma eleição presidencial que se antecipa renhida. Quem o diz é o governador do banco central francês, isto numa altura em que os custos de financiamento da economia quebram máximos de vários anos.
Em entrevista com uma cadeia de televisão gaulesa na sexta-feira, Emmanuel Moulin alertou para o peso crescente que a dívida e os seus custos estão a ter no orçamento do país, uma dinâmica que não pode ser dissociada das preocupações do mercado com o contínuo aumento da despesa e a ausência de reformas significativas para reforçarem a sustentabilidade das contas nacionais.
Assim sendo, seria “uma lógica errada” assumir que o BCE virá ao auxílio da segunda maior economia europeia, afirmou. “Acreditar nalgum tipo de solução milagrosa do BCE é reduzir as nossas próprias responsabilidades”, completou o banqueiro.
A situação deve, portanto, ser resolvida internamente, defende. “A maioria dos instrumentos de que precisamos para lidar com esta situação já estão nas nossas mãos, não necessariamente nas do BCE”, acrescentou.
Moulin reforçou a necessidade de o país finalizar um acordo de orçamento, sobretudo um que garanta poupança e “que ponha o défice de volta a uma trajetória descendente”, recordando as dificuldades políticas que têm impedido este objetivo. Esta semana, o governo minoritário francês deverá enviar a proposta orçamental para o parlamento, sendo expectável uma longa e polarizada discussão entre as famílias políticas com assento parlamentar.
Este é um dos motivos a empurrar as yields soberanas francesas para cima, em linha com o resto do mundo, mas agravada pela situação interna. Na semana passada, o spread França-Alemanha ultrapassou os 100 pontos base (pb) pela primeira vez em 14 anos, sublinhando as preocupações dos investidores com a sua trajetória orçamental.
“Se não lidarmos com o nosso problema do défice e não trouxermos de volta a ordem às finanças públicas, arriscamos pagar mais e mais numa asfixia gradual”, resumiu.

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