Dividendos globais atingem recorde no primeiro trimestre; incerteza reforça o seu papel nas carteiras, diz a Capital Group
Os dividendos globais atingiram um máximo para um primeiro trimestre em 2026, apoiados pelo aumento dos lucros e pela expansão da cultura de pagamento de dividendos, segundo o mais recente Dividend Watch da Capital Group.
De acordo com a gestora, os pagamentos mais do que duplicaram na última década, e o crescimento subjacente (core) no primeiro trimestre manteve um ritmo sólido. A tendência de longo prazo é alimentada por vários setores, entre os quais a tecnologia, o consumo cíclico e o setor financeiro.
A Capital Group considera que os dividendos ganham relevância após um período de elevada incerteza. Mesmo com um enquadramento definido para o conflito no Médio Oriente, os efeitos nos mercados de energia, nas cadeias de abastecimento e na confiança dos consumidores podem prolongar-se, sublinhou. Nestes contextos, os dividendos ajudam a estabilizar os retornos das carteiras, defende a gestora. São normalmente bastante menos voláteis do que os lucros e mais estáveis do que os programas de recompra de ações, já que as empresas com políticas de distribuição progressivas tendem a evitar cortes, dado o sinal negativo que estes enviam ao mercado.
O setor da energia surge como um dos principais beneficiários no curto prazo. Segundo a Capital Group, os maiores fluxos de caixa, associados a preços elevados do petróleo, estão a reforçar balanços pressionados por grandes programas de recompra de ações, o que deverá sustentar políticas de dividendos progressivas a médio prazo.
A oportunidade estende-se, no entanto, a outros setores e geografias. A gestora aponta que é possível encontrar rendibilidades atrativas nos mercados globais, com uma parte significativa das empresas fora dos Estados Unidos a oferecer pagamentos relevantes aos investidores.
Se os lucros diminuírem, são as recompras que tendem a absorver os primeiros cortes, o que torna os dividendos mais resilientes ao longo do ciclo, indicou a Capital Group. O crescimento poderá moderar face aos níveis recentes, mas a gestora mantém a perspetiva de expansão, com projeções para o conjunto do ano de um crescimento subjacente entre baixo e médio de um dígito.
Numa carteira diversificada, as ações que pagam dividendos podem coexistir com temas de crescimento de longo prazo, permitindo participar no progresso das empresas e ajudando os retornos totais a absorver episódios de volatilidade. A gestora acrescenta que uma análise aprofundada de cada empresa e a atenção à sustentabilidade dos pagamentos são essenciais para distinguir os emissores com dividendos duradouros daqueles em que a distribuição pode revelar-se menos fiável.
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