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Nobel da Literatura Svetlana Alexievich será a autora residente da Fundação Dom Luís I em outubro

Nobel da Literatura Svetlana Alexievich será a autora residente da Fundação Dom Luís I em outubro

A escritora bielorrussa Svetlana Alexievich, Prémio Nobel da Literatura 2015, estará em Cascais entre 1 e 22 de outubro, no âmbito do Programa de Residências Internacionais de Escrita Fundação Dom Luís I.
A presença da autora em Cascais tem um significado especial no ano em que a vila é a Capital Europeia da Democracia 2026. “A sua obra, construída a partir de centenas de testemunhos individuais, tornou audíveis vozes frequentemente apagadas pela propaganda, pela violência e pela história oficial”, lê-se em comunicado. “Ao transformar essas vozes numa literatura de memória e de consciência, Alexievich interrogou a capacidade das sociedades para converter o sofrimento em liberdade e para resistir ao medo e à submissão”, realça o texto.
A defesa da liberdade não é, para a escritora bielorrussa, apenas um tema literário. Na seuqência das eleições bielorrussas de 2020, consideradas fraudulentas, Alexievich participou no Conselho de Coordenação criado para organizar novas eleições e uma transição pacífica de poder. A repressão dos protestos e a perseguição aos membros do Conselho tiveram consequências. A autora viu-se obrigada a deixar a Bielorrússia e, desde então, fez de Berlim a sua casa.
São públicas as suas posições contra o autoritarismo e a favor da liberdade de expressão. Aliás, o Prémio Nobel da Literatura que a Academia Sueca lhe atribuiu, em 2015, pesou, precisamente, o facto de a sua escrita dar à literatura “uma função cívica: preservar a verdade humana quando os regimes procuram impor o silêncio.”
A escritora tem documentado, ao longo de mais de quatro décadas, as experiências de pessoas comuns perante a Segunda Guerra Mundial, a guerra soviética no Afeganistão e a catástrofe de Chernobyl, entre outros momentos dramáticos na história da humanidade. Entre as suas obras publicadas em português figuram A guerra não tem rosto de mulher, Rapazes de zinco, Vozes de Chernobyl: história de um desastre nuclear e O fim do homem soviético.
As Residências Internacionais de Escrita Fundação Dom Luís I, coordenadas pela escritora e crítica literária Filipa Melo, funcionam exclusivamente por convite. Olivier Rolin foi o autor que inaugurou este programa, em 2018. Muitos outros se seguiram, como Michael Cunningham, Jonathan Coe, Javier Cercas, Nara Vidal, Sandro Veronesi, Noura Erakat, Leïla Slimani, András Petőcz, Anne Akrich, Velibor Čolić e Will Eaves, entre outros.
Esta iniciativa é organizada pela Fundação Dom Luís I, em colaboração com a Câmara Municipal de Cascais.

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