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Quase sete em cada dez empresas consideram sistema fiscal português ineficaz, diz Deloitte

Quase sete em cada dez empresas consideram sistema fiscal português ineficaz, diz Deloitte

Quase sete em cada dez grandes empresas portuguesas consideram o sistema fiscal nacional ineficaz, invertendo a tendência de melhoria da perceção registada desde 2023, segundo o Observatório da Competitividade Fiscal 2026 da Deloitte divulgado esta segunda-feira 28 de setembro.
De acordo com o estudo, 69% dos inquiridos classificam o sistema fiscal como ineficaz, mais sete pontos percentuais do que em 2025. Paralelamente, 97% consideram o sistema complexo, um aumento de quatro pontos face ao ano anterior.
O inquérito, realizado em abril e maio de 2026, recolheu respostas de 189 empresas com sede em Portugal, pertencentes ao universo das 1.000 maiores empresas portuguesas. Entre as 111 empresas que se identificaram, 58% faturaram mais de 50 milhões de euros e 70% empregam mais de 100 trabalhadores.
Apesar da deterioração da perceção, 91% dos inquiridos reconhecem que a política fiscal pode contribuir positivamente para a competitividade das empresas, destacando a redução gradual da taxa de IRC e a eliminação da Derrama Estadual, ainda não concretizada, como medidas positivas.
“Os resultados desta edição do Observatório mostram que as empresas continuam a atribuir à política fiscal um papel determinante na competitividade e na atração de investimento, mas revelam também um agravamento da perceção sobre o funcionamento do sistema fiscal português”, afirmou Luís Belo, Partner e Tax Leader da Deloitte.
Justiça e burocracia travam investimento.
O funcionamento da justiça mantém-se como o principal obstáculo ao investimento em Portugal, com uma classificação média de 4,45 numa escala de 1 a 5, seguido dos custos de contexto e burocracia, com 4,18.
Em 2026, os licenciamentos e autorizações camarárias são apontados como o fator com maior impacto, ultrapassando a burocracia em geral.
Para reforçar a competitividade fiscal, as empresas apontam como prioridades a celeridade dos tribunais tributários, a simplificação burocrática e a redução das obrigações declarativas. A redução dos prazos de resposta da Administração Fiscal e da carga fiscal são também indicadas como condições para reforçar a confiança entre contribuintes e Administração Fiscal.
Em contrapartida, o acesso ao mercado europeu e à CPLP mantém-se como a principal vantagem competitiva da economia portuguesa, seguido do posicionamento geopolítico e da qualidade dos trabalhadores. Justiça e sistema fiscal continuam a ser os fatores avaliados de forma menos positiva.
A utilização de incentivos fiscais mantém-se expressiva, embora em queda, com 64% das empresas a afirmarem ter recorrido a estes instrumentos nos últimos anos. O SIFIDE II continua a ser o mais utilizado, mencionado por 37% dos inquiridos, seguido do Incentivo à Capitalização das Empresas, com 12%.
No domínio dos incentivos financeiros, 44% das empresas recorreram a estes mecanismos, com o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) a liderar as preferências. Investigação e desenvolvimento surge como a área prioritária para apoio, seguida da digitalização.
O estudo revela ainda recetividade à utilização da política fiscal para promover investimento sustentável, com 77% a defenderem a criação de incentivos alinhados com critérios ESG. A eficiência energética mantém-se como a principal prioridade no âmbito da transição climática.
Num contexto marcado por múltiplos desafios, a incerteza geopolítica é identificada como a principal preocupação das empresas para 2026. Em sentido inverso, o desemprego surge como a dimensão menos relevante.

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