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Startup criada por portugueses que suporta plataforma de férias da Wizz Air capta 1,9 milhões

Startup criada por portugueses que suporta plataforma de férias da Wizz Air capta 1,9 milhões

A Tryp.com, plataforma de viagens com inteligência artificial fundada por quatro portugueses e dois dinamarqueses, captou 1,9 milhões de euros numa ronda de financiamento liderada pela Point Capital Partners, numa operação que eleva para 5,9 milhões de euros o investimento total recebido pela empresa desde a sua criação.
A ronda contou também com a participação da Iberis Capital, que já tinha liderado uma anterior operação de financiamento de 3,1 milhões de euros concluída em janeiro de 2025, bem como de vários investidores privados.
A startup luso-dinamarquesa ganhou visibilidade este ano ao tornar-se a tecnologia por trás da Wizz Holidays, a plataforma de pacotes de férias lançada pela companhia aérea Wizz Air em julho. Através da sua tecnologia, a Tryp.com cria itinerários multidestino e multimodais para os clientes da transportadora, enquanto os pacotes são comercializados e operados pela agência de viagens da empresa, licenciada em Portugal.
O novo financiamento será utilizado para expandir a tecnologia da empresa junto de outras marcas do setor das viagens, lançar uma nova área de experiências turísticas e acelerar a entrada nos mercados asiáticos e das Américas.
“As companhias aéreas têm os voos e os clientes. O que lhes falta é tecnologia que transforme um bilhete numa viagem completa, construída em segundos. É isso que fazemos”, afirmou André Rangel de Sousa, cofundador e presidente executivo da Tryp.com.
“A Wizz Holidays mostra o nosso motor a funcionar à escala de uma companhia aérea, e esta ronda permite-nos levá-lo a mais parceiros, enquanto a nossa plataforma continua a crescer para lá dos 10 milhões de utilizadores”, acrescentou.
Fundada em 2021 na cidade dinamarquesa de Odense por seis estudantes de engenharia, dos quais quatro portugueses, a empresa tem atualmente sede em Copenhaga e mantém uma agência de viagens licenciada em Lisboa.
Ao contrário dos motores de pesquisa tradicionais, a plataforma parte do orçamento e das datas disponíveis do utilizador para construir propostas de viagem. O sistema acompanha mais de 80 milhões de tarifas de transporte e 28 milhões de opções de alojamento, combinando-as em tempo real em itinerários que integram voos, comboios, autocarros, ferries e hotéis.
A empresa afirma ter ultrapassado os 10 milhões de utilizadores desde o lançamento e registar atualmente cerca de um milhão de utilizadores por mês.
Segundo os dados divulgados pela startup, a faturação mensal ultrapassou 1,2 milhões de euros em setembro, superando o volume de negócios de todo o ano de 2024. A plataforma vende atualmente cerca de 14 mil bilhetes por mês, o equivalente a preencher 18 aeronaves Airbus A320 por semana. Desde o início de 2026, as vendas quadruplicaram e as receitas mais do que triplicaram.
A aposta em inteligência artificial tem sido central na estratégia da empresa. A Tryp.com refere que cerca de metade das reservas são efetuadas por utilizadores que não realizam pesquisas e compram diretamente viagens sugeridas pelo sistema. Segundo a empresa, após quatro interações, o modelo de personalização quase triplica a taxa de cliques nas recomendações apresentadas.
Para Pedro Ceia, investment manager da Point Capital Partners, a empresa ocupa “um nicho único” entre a pesquisa e a reserva de viagens, beneficiando já de uma parceria estratégica com a Wizz Air.
Já João Henriques, partner da Iberis Capital, afirmou que a empresa demonstrou “uma forte capacidade de execução comercial” desde a ronda anterior, destacando o crescimento da base de utilizadores e o facto de se ter tornado parceira tecnológica da plataforma de férias de uma das maiores companhias aéreas europeias.
A gestora de fundos de private equity Point Capital Partners gere mais de 380 milhões de euros em ativos e investe em empresas desde fases seed até rondas Série B. A Tryp.com conta também entre os seus investidores entidades como a ITV, o Innovation Fund Denmark e a EIFO, antigo fundo estatal dinamarquês Vækstfonden.

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