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Angola quer transformar potencial agrícola em negócio e coloca 37 milhões de hectares no radar dos investidores

Angola quer transformar potencial agrícola em negócio e coloca 37 milhões de hectares no radar dos investidores

A mensagem foi deixada esta quinta-feira, 1 de outubro, por Paulo Fradilha, CEO da Agritech Show Luanda, durante uma intervenção por videoconferência no Global Agri Forum, em Lisboa, na VdA – Vieira de Almeida. Fradilha participou a partir de Luanda, onde arranca também a primeira edição da Agritech Show Luanda, feira dedicada ao agronegócio que decorre na Fazenda da Quiminha. A presença de Fradilha estava prevista no programa oficial do fórum.
“Esta é a primeira edição do Agritech Show Luanda”, explicou Fradilha, descrevendo o evento como uma plataforma destinada a juntar o maior número possível de intervenientes ligados ao agronegócio. O objectivo, acrescentou, é criar “massa crítica” entre empresários angolanos e investidores e contribuir para uma agricultura mais organizada e empresarial.
A dimensão do potencial é expressiva. Segundo o responsável, Angola dispõe de 37 milhões de hectares aráveis, dos quais apenas entre 10% e 15% estarão atualmente explorados, e de uma importante disponibilidade de água. É precisamente este potencial por concretizar que o país pretende transformar numa oportunidade de investimento.
A necessidade é também económica. “Dada a necessidade de diversificação económica que Angola tem, que ainda está muito dependente do petróleo, eles estão a querer desenvolver a agricultura rapidamente”, afirmou Fradilha.
A aproximação ao Brasil surge como uma das vias para acelerar essa transformação. O responsável da Agritech Show Luanda destacou a possibilidade de adaptar a Angola práticas agrícolas desenvolvidas no Cerrado brasileiro, sobretudo em determinadas regiões do país.
Mas o interesse não chega apenas do outro lado do Atlântico. “O Brasil é um dos principais parceiros até ao momento, mas também há muitas empresas e muitos fundos de investimento árabes aqui de olhos postos em Angola”, afirmou.
Para Fradilha, a Agritech Show pretende desempenhar um papel nessa aproximação entre capital, empresas e conhecimento. A ligação ao Global Agri Forum, disse, faz sentido precisamente por permitir criar uma ponte entre diferentes mercados de língua portuguesa. “A AgriTech Show quer ser a lusofonia do agro aqui em Angola”, resumiu.
A primeira edição do evento em Luanda decorre em simultâneo com o encontro de Lisboa e coloca no mesmo espaço produtores, empresas de tecnologia, investidores e outros intervenientes da cadeia agrícola. A organização do Global Agri Forum apresenta também a ligação à Agritech Show Luanda como parte da estratégia de aproximação entre geografias, empresas e investidores do mundo lusófono.
O desafio, agora, é transformar a dimensão do potencial em capacidade produtiva e projectos concretos. Para Angola, a agricultura surge assim não apenas como uma alternativa ao petróleo, mas como uma das apostas para atrair capital estrangeiro, desenvolver cadeias de valor e reforçar a sua posição no mercado agroalimentar internacional.

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