BCSD Portugal celebra 25 anos e apresenta Visão 2050 para a próxima geração empresarial
Em 2001, quando 36 empresas decidiram criar o BCSD Portugal, falar de sustentabilidade no meio empresarial era ainda um exercício de antecipação. Vinte e cinco anos depois, o Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável celebra os seus 25 anos com 209 empresas associadas no ativo, presença em 23 setores de atividade e um total acumulado de 370 empresas que fizeram parte da rede ao longo deste percurso. É este balanço que a organização apresenta hoje no seu Relatório de Impacto dos 25 anos.
O documento conclui que a sustentabilidade deixou de ser uma agenda emergente e pouco acessível para se tornar uma dimensão estrutural da gestão, cada vez mais integrada na estratégia, na tomada de decisão e na criação de valor. A expansão setorial, de 17 para 23 setores entre 2001 e 2025, e a diversificação da própria rede, que hoje integra 104 grandes empresas, 74 PME e 38 microempresas, são reflexo dessa transformação.
O relatório organiza o impacto do BCSD em três eixos: conhecimento e capacitação, inovação e colaboração e influência estratégica. No eixo da formação, o trabalho desenvolvido ao longo de 25 anos traduziu-se em mais de 18 mil participações, envolvendo profissionais de mais de 600 empresas, num total de mais de 1.600 horas de formação e mais de 400 workshops e sessões temáticas. Os temas acompanharam a evolução da agenda, desde a eficiência energética e responsabilidade social até à economia circular, biodiversidade, finanças sustentáveis e diversidade, equidade e inclusão.
A produção de conhecimento inclui ainda mais de 40 publicações originais, pelo menos outras 40 publicações do World Business Council for Sustainable Development traduzidas para português e mais de 400 casos de estudo de empresas membro.
Entre os projetos de referência contam-se o Observatório de Sustentabilidade Empresarial, desenvolvido em parceria com o Instituto Superior Técnico, e a Carta de Princípios, lançada em 2017, que cresceu de 35 signatários no primeiro ano para 245 em 2024, mais de metade dos quais empresas não associadas ao BCSD. Em 2023, a capacitação deu um novo passo com a criação da Academia BCSD Portugal, com oferta em diferentes níveis e formação especializada e à medida, que regista desde então uma taxa média de satisfação de 93%.
A dimensão colaborativa consolidou-se em mais de 75 grupos de trabalho e em 39 participações em consultas públicas, contribuindo para a discussão e construção de políticas públicas ligadas à sustentabilidade. Em momentos chave da agenda, essa capacidade de mobilização traduziu-se em manifestações coletivas. Em 2020, 94 empresas subscreveram um manifesto sobre desenvolvimento sustentável. Em 2021, 91 assinaram um manifesto sobre alterações climáticas. Em 2022, 80 empresas assumiram um compromisso sobre ação climática e 60 subscreveram um manifesto pela natureza. Entre 2016 e 2025, o BCSD somou ainda mais de 3.000 artigos e menções nos media.
Para a Presidente da Direção, Rita Nabeiro, o percurso reflete a mudança da própria economia. “Há 25 anos, falar de sustentabilidade nas empresas era sobretudo um exercício de antecipação. Hoje, é falar de inovação e competitividade num mundo em mudança acelerada e marcado pela incerteza. São desafios que nenhuma empresa resolve sozinha. O nosso percurso mostra que, quando as empresas partilham conhecimento e soluções, transformam cadeias de valor e setores inteiros. É este impacto sistémico que contribui para transformar a sociedade e construir um futuro mais sustentável”, afirma.
O olhar para o futuro é agora orientado pela Visão 2050, que irá enquadrar o trabalho do BCSD em 2026 e 2027. A ambição é preparar as empresas para um contexto marcado por mudanças rápidas e sucessivas, onde se destacam forças como a perda de natureza e biodiversidade, a evolução regulatória, a aceleração tecnológica, incluindo o impacto da inteligência artificial, e a instabilidade geopolítica.
“Celebrar 25 anos é reconhecer aquilo que foi construído, mas também assumir a responsabilidade pelo que vem a seguir. O nosso maior ativo é uma comunidade de empresas que aprendeu, colaborou e evoluiu em conjunto. Queremos que os próximos 25 anos sejam feitos de ainda mais proximidade, mais coragem para antecipar a mudança e mais capacidade para transformar conhecimento em decisões e ações concretas”, sublinha Rita Nabeiro.
Com mais de 200 empresas associadas, cujo volume de vendas representa cerca de 10% do PIB nacional, o BCSD Portugal é membro da rede global do World Business Council for Sustainable Development e um dos principais dinamizadores da transição para uma economia de baixo carbono em Portugal.
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