Pentágono volta a excluir aliados europeus em reunião sobre a NATO
A administração Trump excluiu vários aliados europeus da NATO de uma reunião de Estados-membros que terá lugar no próximo mês, tornando assim reais as ameaças de que os países que não se mostrassem próximos de Washington em questões de segurança sofreriam as consequências. A reunião, planeada para a Polónia e liderada pelo chefe de Política do Pentágono, Elbridge Colby, é organizada como grupo de trabalho focado no futuro da aliança. Mas, segundo avança o site POLITICO, muitos dos países que não receberam convite — como o Reino Unido, a França e os países bálticos — são grandes investidores em defesa e desempenham papéis fundamentais na aliança, o que deixou os seus diplomatas espantados com a exclusão.
O caso tem todos os ingredientes para fragmentar ainda mais uma aliança que já enfrenta dificuldades devido à crescente antipatia que a Casa Branca demonstra ter em relação à aliança com a Europa, fazendo crescer os receios de que Donald Trump acabe por minar a organização.
“Estamos a fazer tudo o que nos pedem”, disse um representante de um país aliado excluído. “Estamos a tentar entender quais são os critérios e qual o propósito destas reuniões. Ainda não recebemos muitas informações”, disse uma fonte citada pelo jornal. A Casa Branca não respondeu ao pedido de comentário, e o Pentágono recusou mesmo fazer qualquer declaração.
Trump e os seus principais assessores têm criticado implacavelmente a NATO desde que regressaram à Casa Branca, mas principalmente a partir do momento em que vários Estados-membros recusaram apoiar a guerra contra o Irão – num contexto que já não era fácil, depois de vários deles discordarem com a obrigação de gastarem 5% do PIB em defesa.
“Sempre considerei a NATO, onde gastamos centenas de milhões de dólares por ano, protetora desses mesmos países, como uma via única — nós os protegeremos, mas eles não farão nada por nós, especialmente em momentos de necessidade”, disse Trump este ano.
No mês passado, a Casa Branca já tinha assumido um comportamento pouco comum com outro aliado militar, a Coreia do Sul, ao reduzir abruptamente um exercício conjunto planeado há muito, argumentando exatamente que Seul recusara juntar-se à guerra contra o Irão.
Em abril, a Casa Branca elaborou algo semelhante a uma lista de países ‘bem comportados’ e ‘mal comportados’, enquanto tentava encontrar formas de punir aliados que não acatassem os desejos de Trump, avanaçava na altura o POLITICO. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, incentivou o conceito de “aliados exemplares” e alertou que aqueles que não apoiarem os interesses dos EUA sofrerão as consequências.
Colby realizou duas reuniões semelhantes com os convidados Noruega, Suécia, Finlândia, Polónia, Alemanha e Países Baixos. Os Estados Unidos podem adicionar a Dinamarca ao seleto grupo em breve, dado o acordo firmado entre os dois países para expandir a presença militar norte-americana na Gronelândia. Os países envolvidos na reunião — conhecida como Grupo de Bergen — insistem que o objetivo não é romper a aliança, afirmou um diplomata de uma das nações convidadas. Em vez disso, o grupo pretende apresentar ideias que possam ser levadas à aliança para uma análise mais aprofundada.
“Isso pode ser um motor de transformação” para toda a aliança, disse o diplomata. Mas reconheceu que alguns aliados estão surpreendidos com a exclusão, especialmente porque muitos atingiram ou superaram as metas de gastos exigidas pelo governo Trump.
Colby, que tem sido o catalisador da iniciativa, realizou a primeira reunião desse tipo em Bergen, na Noruega, em junho, e convidou os seis aliados preferenciais. “Aliados da NATO que estão a cumprir rapidamente os seus compromissos de gastos assumidos na cimeira de Haia, têm a capacidade de contribuir”, escreveu nas redes sociais após a reunião.
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