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Prejuízo da Greenvolt aumenta de 13 milhões para 54,7 milhões no semestre. Biomassa cresce 26%

Prejuízo da Greenvolt aumenta de 13 milhões para 54,7 milhões no semestre. Biomassa cresce 26%

A Greenvolt registou um prejuízo atribuível de 54,7 milhões de euros no primeiro semestre, contra perdas de 13 milhões de euros em igual período de 2025, penalizada pelo menor ritmo de rotação de ativos na área utility-scale, segundo os resultados divulgados esta quinta-feira (1 de outubro), na CMVM.
Os proveitos operacionais totais caíram 36,5% para 314,9 milhões de euros, face a 495,6 milhões um ano antes. O EBITDA consolidado recuou 28,4%, para 50,3 milhões de euros. Excluindo custos de transação, o EBITDA de 2025 seria de 71,9 milhões, o que dá uma queda de 30%.
O resultado líquido consolidado, incluindo minoritários, foi negativo em 61,1 milhões de euros, face a perdas de 21,4 milhões no primeiro semestre de 2025. O EBIT passou de 23,6 milhões positivos para 10,8 milhões negativos, com as amortizações e depreciações a subirem 33,7%, para 49,5 milhões de euros. Os resultados financeiros foram negativos em 47,4 milhões de euros.
Utility-scale pressiona resultados
A área de utility-scale foi a principal responsável pela queda, com um EBITDA de 24,4 milhões de euros (-61%) e proveitos operacionais de 130,4 milhões. A empresa justifica o desempenho com o calendário das rotações de ativos, “já esperado”, e com um impacto negativo de quatro milhões de euros dos PPA virtuais.
A margem de rotação de ativos totalizou 22,4 milhões de euros, reconhecida em transações já assinadas, enquanto os ativos em operação contribuíram com 28,6 milhões. No semestre, destaca-se a venda de um projeto de 70 MW ready-to-build na Polónia e, desde junho, o acordo para a venda de um parque solar de 57 MW na Hungria.
A Greenvolt diz ter recebido várias ofertas vinculativas e processos em fase final de negociação, o que lhe permitirá cumprir as metas para 2026. A empresa prevê terminar o ano com 6 gigawatts (GW) de projetos pelo menos em fase ready-to-build, 1,8 GW em operação e mais de 1 GW em vendas.
O pipeline ponderado pela probabilidade é de 12,7 GW, menos 1% do que no fecho de 2025, dos quais 5,4 GW estão pelo menos em fase ready-to-build ou já vendidos. A capacidade em operação subiu 40%, para 979 MW.
Biomassa compensou
A biomassa compensou parcialmente a queda. O EBITDA da biomassa foi de 31,2 milhões de euros, mais 105%, e os proveitos subiram 26%, para 108,7 milhões, impulsionados pela maior disponibilidade das centrais do Reino Unido, em particular a de Tilbury (TGP), após a paragem não programada de 2025.
O EBITDA da biomassa incluiu ainda 9,2 milhões de euros de indemnizações de seguros relativas à paragem da central de Kent no ano passado. A energia exportada pelas centrais de biomassa aumentou 21,8%, para 512,8 GWh.
Em Portugal, a central Mortágua II, cuja remodelação ficou concluída em 2025, deverá iniciar operações em mercado no início de outubro, depois da emissão de uma licença de exploração provisória.
Geração distribuída positiva no segundo trimestre
A geração distribuída (DG) registou um EBITDA negativo de 3,8 milhões de euros no semestre, mas tornou-se positiva no segundo trimestre, com 3,3 milhões de euros, impulsionada por Portugal, Irlanda e Reino Unido. Os proveitos subiram 3%, para 85,7 milhões de euros.
Segundo a apresentação, o backlog [portefólio de projetos de energia renovável contratados e em desenvolvimento que a empresa tem em carteira para executar no futuro] aumentou 48%, para 786 MWp, dos quais 615 MWp já estão em construção. A capacidade em operação ao abrigo de contratos de venda de eletricidade (PPA) atingiu 128 MWp (+74%).
“A carteira de encomendas de geração distribuída (GD) registou um aumento de 48%, atingindo os 786 MWp, sendo que 615 MWp já se encontram em fase de construção, incluindo 101 MWp associados a contratos de compra de energia (PPAs). Adicionalmente, os ativos em operação ao abrigo de PPAs alcançaram os 128 MWp, num contexto em que o segmento de GD se tornou EBITDA positivo no segundo trimestre de 2026, mantendo-se a expectativa de rentabilidade para a totalidade do ano”, lê-se na apresentação.
Balanço fortalecido através de um aumento de capital
A Greenvolt destaca o balanço fortalecido através de um aumento de capital, de uma linha de crédito rotativa alargada e reforçada e de uma emissão de 70 milhões de euros em obrigações verdes.
Em detalhe, a empresa reforçou a estrutura de capital com um aumento de capital (o capital social passou de 917,1 para 970,1 milhões de euros), a extensão e o aumento da linha de crédito renovável e uma emissão adicional de 70 milhões de euros em obrigações verdes. O capital próprio total fixou-se em 827,7 milhões de euros e o ativo total em 4.441,4 milhões.
A dívida líquida situava-se em 2.594 milhões de euros no final de junho, com um custo médio de 4,5% e maturidade média de três anos. A caixa e equivalentes ascendia a 179,8 milhões de euros, face a 204,5 milhões no final de 2025.
Para o segundo semestre, a Greenvolt antecipa que o EBITDA anual será “materialmente superior” ao de 2025, apoiado na conclusão de vendas de ativos, num resultado positivo na geração distribuída e numa operação estável da biomassa, sem paragens relevantes previstas.
A KKR (através da sociedade GVK Omega) detém uma participação de controlo superior a 97% da Greenvolt, tendo a empresa saído de bolsa no final de 2024.

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