Sell-off das dívidas públicas continua com títulos dos EUA, França e Reino Unido em máximos de décadas
Mais um dia, mais um máximo de décadas quebrado no mercado obrigacionista: os juros da dívida norte-americana a 10 anos continuam a subir e voltaram a bater valores não vistos desde 2002, com o mercado a continuar a exigir retornos crescentes face à pressão inflacionista sob as economias ocidentais.
Os títulos do Tesouro norte-americano a 10 anos chegaram a 5,34%, fixando novo máximo de 24 anos, enquanto os títulos a 30 anos saltaram 3 pontos base (pb) até aos 5,67%, quebrando máximos também de 2002. As notas a dois anos também subiram 2 pb, chegando a 4,91%.
Mas as tensões não se ficam pelos EUA, onde a subida contínua da dívida e a persistência de défices orçamentais crónicos na casa dos 5% a 6% do PIB estão a gerar stress nos mercados. No Reino Unido, as gilts a 30 anos quebraram os 6%, algo que não se via desde 1998, enquanto as a 10 anos subiram 5 pb até 5,48%; os títulos japoneses a 10 anos também registou máximos de três décadas com 3,13%; e na Europa a situação é em tudo semelhante.
Os títulos alemães a 10 anos, a referência para a zona euro, subiu 4 pb até 3,62%, um máximo de 2008. Mas é França quem domina as atenções no Velho Continente, dado que os seus títulos a 10 anos saltaram 11 pb até 4,96%, valores não vistos desde 2002 e registados agora na antecâmara da apresentação da proposta orçamental no Parlamento, onde é expectável uma luta e renhida discussão com baixa probabilidade de aprovação do documento.
Com uma despesa crescente, população envelhecida e pouca margem de manobra social, o Governo francês vê-se com a difícil tarefa de encontrar formas de devolver alguma sustentabilidade às suas contas públicas. O governador do banco central do país, Emmanuel Moulin, já avisou que Paris não deve contar com possíveis resgates do BCE, argumentando que a solução terá de ser encontrada internamente.
Portugal vai resistindo à tormenta, apesar de também ter visto as yields a 10 anos superarem 4%, onde se mantêm. Ainda assim, o spread para os títulos alemães de igual maturidade continua na casa do 50pb, perto dos valores mínimos históricos para este indicador.
Também Itália registou uma subida de 10 pb nas maturidades a 10 anos, chegando a 4,72% e sublinhando a abrangência das tensões do mercado.
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