Fabricantes de automóveis aceleram robotização em plena onda de despedimentos
A indústria automóvel está a viver uma transformação profunda. Numa notícia deste sábado, o El Economista refere que os fabricantes estão a apostar em fábricas inteligentes que combinam robots convencionais e humanoides com inteligência artificial, gémeos digitais e sistemas de análise de dados em tempo real. O objetivo é ganhar produtividade, reduzir custos e competir com a China num contexto marcado pela eletrificação e pelo aumento dos custos industriais.
Esta revolução tecnológica coincide, porém, com uma vaga de ajustes no setor, que já soma mais de 130 mil saídas de trabalhadores anunciadas até 2030. A conjugação dos dois fenómenos está a gerar tensão entre trabalhadores e sindicatos, que exigem que a transformação seja acompanhada de planos de formação e garantias de emprego.
Hyundai e Toyota na liderança
O grupo sul-coreano Hyundai prevê investir 26 mil milhões de dólares (23,1 mil milhões de euros) nos EUA entre 2025 e 2028, com foco em robótica e automação. Entre os projetos está um centro de inovação na Geórgia com capacidade para produzir até 30 mil robots por ano em 2028. A partir desse ano, a Hyundai tenciona introduzir o robot humanoide Atlas, desenvolvido pela sua subsidiária Boston Dynamics, nas suas fábricas.
A Toyota prepara também um despliegue massivo: cerca de 400 mil robots nas suas fábricas de todo o mundo a partir de 2028, num programa de investimento anual de aproximadamente 5,5 mil milhões de euros. A empresa garante que os robots não visam substituir trabalhadores, mas complementar as suas capacidades.
Europa entre despedimentos e investimentos
Na Europa, a Volkswagen prevê eliminar até 100 mil empregos nos próximos anos, enquanto continua a investir em digitalização. A Audi desenvolve fábricas inteligentes baseadas em IA e robots conectados à nuvem. A Mercedes-Benz investiu na americana Apptronik, criadora do robot humanoide Apollo. A Renault prepara um dos maiores despliegues europeus, com 350 unidades previstas em França e Espanha até 2027, esperando reduzir 30% do tempo de produção e 20% dos custos por veículo em 2030. A BMW testou o robot Figure 02 na sua fábrica de Spartanburg, onde trabalhou durante dez meses na produção de mais de 30 mil unidades do X3.
A China lidera a automação industrial, impulsionada pelo veículo elétrico. A BYD conta com instalações com taxas de automatização superiores a 98% e milhares de robots dedicados à soldadura e montagem. A Geely incorporou soldadura laser e robótica avançada na sua nova fábrica no Egito, enquanto a Great Wall Motors colocou as smart factories no centro da sua estratégia. No Japão, a Honda desenvolveu em Ohio o projeto EV Hub, com linhas capazes de produzir veículos de combustão, híbridos e elétricos nas mesmas instalações.
Tensão laboral nas fábricas
A velocidade desta transformação está a abrir um novo front laboral. Na Coreia do Sul, milhares de trabalhadores da Hyundai manifestaram-se contra os planos para introduzir robots humanoides nos processos produtivos. Na Europa, os sindicatos reclamam que a robotização seja acompanhada de programas de formação e reciclagem profissional. Organizações como a CCOO e a UGT em Espanha defendem uma implementação gradual e negociada destas tecnologias, exigindo que os apoios públicos sejam vinculados à criação e manutenção de emprego de qualidade.
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