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Alex Ferguson assume receio da demência: “Se chegar aos 85 anos…”

Alex Ferguson assume receio da demência: “Se chegar aos 85 anos…”

Sir Alex Ferguson concedeu uma extensa entrevista à edição desta segunda-feira do jornal britânico The Observer, no âmbito do lançamento do novo livro, intitulado “Games of My Life”, na qual explicou os motivos que o levaram a doar dinheiro para uma série de instituições destinadas a pessoas que sofrem de demência, ao longo da vida.
 
“Eu próprio me preocupei com isso, porque eu cabeceava muito a bola”, começou por afirmar o histórico treinador do Manchester United (clube que orientou, entre 1986 e 2013, e pelo qual conquistou um total de 36 títulos), em referência ao facto de vários estudos alertarem para os perigos desta ação em específico, no futebol, devido aos danos que pode provocar no cérebro.
“Todos os futebolistas o faziam. A demência é um desafio para qualquer pessoa que envelheça. Preocupa-me muito. Eu digo sempre a mim mesmo ‘Tenho 84 anos de idade. Se chegar aos 85, estarei bem'”, prosseguiu, entre risos, antes de abordar a situação por que passa o irmão mais novo, Martin, de 83 anos de idade.
“Ele reconhece-me, o que é ótimo. Em Glasgow, começaram uma coisa musical [a ‘Playlist for Life’, uma instituição de solidariedade que usa a música para alertar para a demência], e a ideia passa por darem-te uma caixa com todas as tuas músicas favoritas. Basta-lhes carregarem num botão para as tocarem, e traz de volta todas as memórias”, apontou.
“Eu posso ter treinado o Manchester United, mas foi a Cathy que geriu o Ferguson United”
Nesta entrevista, Sir Alex Ferguson levantou, ainda, o ‘véu’ sobre a faceta mais pessoal, enaltecendo, em particular, o papel que a mulher, falecida em outubro de 2023, com 84 anos de idade, desempenhou ao longo da carreira de treinador: “Eu posso ter treinado o Manchester United, mas foi a Cathy que geriu o Ferguson United”.
“59 anos [de casado] é muito tempo. Houve uma enorme parte religiosa na Cathy, e ela sempre se considerou uma mulher e uma mãe. Ela nunca se envolveu na minha vida enquanto treinador. Nunca se queixou disso, porque ela sabia que era o meu emprego. Uma mulher fantástica, e foi brilhante para os rapazes”, sublinhou.
“Ela era ótima a julgar as pessoas. Era muito cuidadosa com pessoas que queriam ser amigáveis comigo. Ela nunca chegou a estar aqui [na sua atual casa]. Casámo-nos numa manhã de sábado, e eu joguei à tarde”, acrescentou.
“Nunca mudei as minhas crenças, estivesse no St. Mirren, no Aberdeen ou no Manchester United”
A terminar, Sir Alex Ferguson revelou aquele que considera ter sido um dos pilares para o sucesso que teve, enquanto treinador, no Manchester United e não só: “Eu gostava de ter os jogadores no meu escritório. Gostava de falar com eles. Fiz isso, por vezes, com os mais jovens. Contava-lhes uma história ou algo assim”.
“A outra coisa à qual me mantive fiel foi à consistência. Nunca mudei as minhas crenças, estivesse no St. Mirren, no Aberdeen ou no Manchester United. Estiveram sempre lá. Achei que era o mais correto. Achei que era bom produzir jovens jogadores. Produzi dezenas de jogadores da academia do Manchester United que se tornaram internacionais”, concluiu.
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