Centro-direita conseguiu vitória histórica nas eleições na Letónia
A coligação centrista Lista Unida, liderada pelo primeiro-ministro Andris Kulbergs, obteve uma vitória histórica nas eleições legislativas da Letónia, que decorreram no passado sábado, 3 de outubro. A aliança de centro-direita alcançou 35,4% dos votos, garantindo 42 dos 100 lugares no parlamento. Este resultado representa a maior vitória eleitoral no país desde a restauração da independência em 1991. A participação eleitoral situou-se ligeiramente acima dos 51% (com uma abstenção de 48,33%).
O resultado assegura a continuidade de um governo firmemente pró-União Europeia e pró-Ucrânia, numa altura em que o país báltico reforça as suas preocupações de segurança na fronteira com a Rússia e a Bielorrússia. Mas, apesar do triunfo expressivo, Kulbergs terá agora de liderar negociações com outros partidos para formar uma coligação parlamentar maioritária e estável.
O primeiro-ministro assumiu funções em maio de 2026, após a demissão de Evika Siliņa. Durante a campanha, focou a sua agenda na defesa nacional, prometendo manter o orçamento do setor em 5% do PIB e melhorar o sistema de proteção antidrones – área em que o país é confrontado repetidamente com incidentes provocados pela Rússia.
A coligação mais provável deverá juntar a Lista Unida de Andris Kulbergs com a Aliança Nacional (centro-direita/nacionalista) e o Nova Unidade (centro-direita liberal). Esta aliança tripartida asseguraria uma base parlamentar estável e maioritária, uma vez que, aos 42 lugares da Lista Unida, somar-se-iam os dez da Aliança Nacional e os sete da Nova Unidade, para um total de 59 deputados.
O primeiro-ministro poderia teoricamente assegurar estabilidade parlamentar recorrendo apenas à Aliança Nacional ou aos liberais do partido Progressistas (a esquerda da Letónia, que conseguiu nove lugares), mas, segundo os analistas, Kulbergs tem interesse em juntar um grupo o mais significativo possível. Apesar de ter sido a segunda força política mais votada (17 lugares), o Letónia Primeiro, populista, deverá permanecer isolado das negociações de governação devido às suas posições extremistas.
O partido Soberania, força política pró-russa, elegeu 15 deputados. O partido conseguiu atrair grande parte do eleitorado da minoria russófona (que antes votava maioritariamente no partido Harmonia, cuja representação colapsou após a invasão da Ucrânia). Impulsionado por uma forte campanha focada no combate ao aumento do custo de vida, o Soberania registou uma subida expressiva. Nas eleições legislativas anteriores, realizadas em 2022, o partido obteve apenas cerca de 3,2% dos votos, ficando abaixo da barreira mínima legal de 5% necessária para conseguir entrar no parlamento.
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