Gonçalo Henriques com confiança renovada após Rali do Algarve: “é um processo, estamos a fazer o que temos de fazer”
Gonçalo Henriques e Gonçalo Cunha, aos comandos de um Hyundai i20 N Rally2, concluíram o Rallye Casinos do Algarve na quinta posição da classificação geral, numa prova em que o Team Hyundai Portugal priorizou a acumulação de quilómetros em pisos de terra, a recuperação de confiança e o regresso aos finais de rali após os contratempos recentes.
A prova algarvia assumiu um figurino distinto para a estrutura, que viu também a dupla Hugo Lopes e Magda Oliveira encerrar o top 10 ao volante de idêntica viatura, num fim de semana condicionado por um furo lento mas marcado pela consistência e pela aprendizagem progressiva.
O balanço de Gonçalo Henriques na quinta posiçãoNo rescaldo da prova, Gonçalo Henriques sublinhou que a prestação decorreu sempre em crescendo, permitindo à dupla aproximar-se do patamar competitivo habitual após um período adverso: «Foi um rali sempre em crescendo. Fizemos praticamente tudo aquilo a que nos propusemos, que era tentar voltar ao nosso ritmo. Ainda não estamos exatamente onde queremos estar, mas terminamos muito mais perto desse nível do que aquilo que acreditávamos ser possível antes da prova», explicou o piloto.
«Fomos cada vez mais rápidos, ganhámos confiança e fomos construindo, pouco a pouco, a nossa consistência. Estar aqui no final, depois de dois ralis que nos correram mal, é sem dúvida um motivo de muita felicidade e de grande orgulho. Dá-nos também confiança e alento para as provas que ainda faltam disputar no campeonato», acrescentou Gonçalo Henriques.
Análise detalhada do ritmo e da recuperaçãoEm declarações adicionais recolhidas no final da prova, o piloto aprofundou a análise sobre a evolução do seu desempenho ao longo das classificativas e o processo de retoma da confiança competitiva: «Sim, conseguimos já estar muito mais perto daquilo a que habituamos toda a gente e a nós próprios. Ainda não estamos tão perto como queríamos ou ao nível pretendido. Costumamos ser mais rápidos, temos noção disso e sentimos isso quando vamos em troço, mas a confiança não nos permitiu fazer mais. É verdade que fomos construindo o nosso ritmo passo a passo, que era esse o nosso objetivo, como tinha dito à hora de almoço. Viemos sempre, de curva a curva, a melhorar um bocadinho e a sentir-nos mais à vontade.»
Questionado sobre a gestão do andamento em troço, o piloto destacou a importância de privilegiar a fiabilidade e o rigor face a eventuais excessos: «Sentimos que podemos mais, mas, como digo, não estivemos inteiramente à vontade para isso e, por conseguinte, andámos onde nos sentíamos confortáveis, sem abusos e sem sustos. Ainda tivemos ‘tempo’ para um furo lento que não prejudicou em nada, pois só reparamos no final do troço. São coisas das corridas. Estamos felizes por chegar ao final, algo a que já não estávamos habituados, uma vez que não terminávamos uma prova desde junho. É muito bom estar aqui sem sustos, sem percalços e sem problemas no carro.»
O piloto realçou ainda o papel desempenhado pela equipa técnica e pelo navegador na estabilização do projeto desportivo: «A equipa também fez um trabalho incrível ao manter o carro impecável. É muito gratificante para todos — para nós, para a estrutura e para o meu navegador, que tem feito um trabalho incrível em manter a minha cabeça no lugar.»
Comparação de desempenho e perspetivas futurasAbordando a evolução face ao Rali do Algarve da temporada anterior – em que foi ao pódio – e o impacto dos incidentes recentes na abordagem competitiva, Gonçalo Henriques admitiu diferenças no registo de andamento: «Tenho plena consciência de que andei menos este ano, principalmente no primeiro dia e na parte da manhã de hoje. Mas olhando para todo o ano, não tenho dúvidas de que o ritmo este ano está mais agressivo, e tem estado desde o início da época. Nós temos estado sempre a lutar pelas posições da frente — tirando neste rali, como é óbvio, e naqueles em que tivemos um acidente — e sabemos que estamos claramente a andar muito mais depressa do que no ano passado. Neste rali não, pelo que já expliquei, mas mas estou contente com o que fiz.Reparem, andei menos porque nunca me tinha acontecido ter dois acidentes seguidos. A verdade é que, há dois meses, achava que batia pouco. Depois levei dois baldes de água fria e, por isso, temos de reconstruir a confiança, voltar a acreditar em nós próprios, é um processo, mas estamos a fazer aquilo que temos de fazer, e vamos com tudo para as próximas provas.»
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