Os pontos essenciais do explosivo comunicado de Cristiano Ronaldo
Foi através de um extenso comunicado que Cristiano Ronaldo voltou a falar sobre tudo o que aconteceu com o selecionador nacional Jorge Jesus e que levou a que o capitão da equipa das quinas abandonasse a concentração da seleção na Dinamarca.
Numa publicação feita há dias nas redes sociais, o capitão português tinha prometido contar a verdade aos portugueses e fê-lo agora, em comunicado. Numa primeira análise, Cristiano Ronaldo sublinha que vai continuar na equipa das quinas e que está disponível para voltar a ser convocado por Jorge Jesus, se assim este entender.
“Mas quando penso na seleção o que eu penso mesmo é em competir. Foi nisso que pensei no dia em que me deram a notícia da morte do meu Pai. Estava em estágio da nossa Seleção e lá decidi ficar até terminar o jogo do dia seguinte. Fiz por isso pelo país o que jamais faria por clube algum. Portanto se estiver bem fisicamente, a jogar no meu clube, com golos espero, a seguir ao cumprimento da suspensão que me for aplicada, estarei disponível, como sempre estive até hoje, para competir e ganhar pela nossa seleção”, escreveu o avançado madeirense.
A possível saída da seleção e a ‘luz verde’ para o nome do selecionador
No comunicado, Cristiano Ronaldo começa por assumir que esteve para deixar a seleção nacional após o Mundial2026, mas manteve-se devido a uma conversa com Proença. Mais tarde, o presidente da FPF pediu opinião ao capitão sobre a escolha de Jorge Jesus como sucessor de Roberto Martínez, algo que Ronaldo acabou por validar.
“Poucos dias depois recebi um primeiro contacto do novo selecionador nacional a dizer que gostava de estar comigo pessoalmente. Respondi que sim e agendámos para o final das minhas férias. Encontrámo-nos na Cidade do Futebol onde o meu clube fazia estágio de pré-temporada. O selecionador disse-me nesse dia que contava comigo e que a minha presença era fundamental para o seu projeto. Apresentou-me, logo ali, um plano para a minha participação. Disse-me que jogaria o primeiro jogo e o último e que por razões de gestão física iria fazer sempre três a quatro mudanças por jogo”, referiu.
Acordo com Jesus, a palavra que não foi cumprida e o pedido de desculpa
Na nota, o jogador do Al Nassr pede desculpa aos portugueses e a outros adeptos por ter saído rumo ao balneário logo após o jogo em Oslo, acusando Jorge Jesus de ter faltado à palavra. Cristiano Ronaldo confirma que lhe foi apresentado um plano em agosto, que voltou a ser vincado já na véspera da convocatória. O mesmo previa que o avançado jogasse apenas os jogos em casa contra a Dinamarca, como aconteceu, e contra a Noruega, no Estádio do Dragão.
Mais à frente na carta, Cristiano Ronaldo afirma que foi Jesus que voltou atrás na palavra e que disse ao capitão que este jogaria 30 minutos ante a Dinamarca, em Copenhaga, algo que aconteceu na manhã do jogo. O craque português aqueceu e não foi opção no encontro. Depois disso, existiu uma reunião que contou com a presença de Jorge Jesus, Simão Coutinho e Cristiano Ronaldo. Dessa mesma reunião saiu um documento que deveria ter sido lido pelo selecionador.
“Passado 48 horas tivemos uma conversa, eu, o selecionador e o Simão Coutinho, uma vez que tinha sido ele a acompanhar as nossas conversas de Agosto. Foi um momento profundo, muito frontal, sem qualquer tipo de filtro. Concordamos que só havia uma maneira de encerrar este “caso”: que o selecionador repetisse o que acabara de me dizer ali em privado, na presença do Simão Coutinho, mas na Sala de Imprensa. O que foi combinado era simples: o selecionador começaria a conferência de imprensa por este tema, procurando encerrar o assunto contando a verdade”, referiu.
O avançado descreve as oito promessas que não foram cumpridas de Jorge Jesus, mostrando-se incomodado com o técnico por este não ter cumprido o pacto ao dirigir-se, ao início da manhã da passada quarta-feira, aos jornalistas em conferência de imprensa.
“Foi produzido um pequeno documento que eu mesmo validei e que, com o meu conhecimento, foi entregue ao selecionador, tal como ele havia solicitado. A conferência foi o que se conhece: a postura não teve nada a ver com a nossa reunião, ouvi expressões e uma agressividade que julgo não merecer, uma atitude de quero, posso e mando que nunca me manifestou, nem de perto nem de longe, em privado, na véspera”, escreveu o madeirense, que refere mesmo as notas que foram validadas por si.
Desculpas aos companheiros e aos portugueses e o ‘pedido’ de castigo
Cristiano Ronaldo fecha a carta com um pedido de desculpas aos colegas de equipa e aos portugueses pela forma como deixou o estágio
“Decidi abandonar o estágio sem esperar por mais nenhuma quebra de palavra. Para mim a verdade ainda é a coisa mais importante na relação entre as pessoas. Por muito que doa, que me digam a verdade. Nunca, em nenhum momento me intrometi em qualquer decisão técnica ou tática de qualquer treinador ou selecionador em quase 25 anos de carreira. Aceito é melhor ou pior o que me propõem fazer. Respeito a decisão e quando me faltam à palavra, sinto que o meu lugar não é ali”, escreveu, pedindo desculpas.
“Devo também um pedido de desculpas aos meus companheiros de seleção por ter abandonado o estágio. Apesar da absoluta quebra de confiança na palavra do selecionador, como poderá testemunhar quem assistiu a estas conversas, eu não o devia ter feito. A responsabilidade é exclusivamente minha. Peço desculpa aos portugueses mais uma vez, mas a quebra da palavra tem, para mim, um impacto definidor. Senti que, a partir dali, a minha permanência iria apenas prejudicar o grupo de trabalho e fiz o que sempre disse que faria se não me sentisse útil: peguei nas malas e saí”, referiu Cristiano Ronaldo.
A fechar, o capitão português diz que a consequência do seu “ato deve ser avaliada e punida pela Federação Portuguesa de Futebol”.
“A consequência deste meu ato deve ser avaliada e punida pela Federação Portuguesa de Futebol. Entendo que a punição não deve ter atenuantes. Não sou um jogador qualquer, sou capitão de equipa e isso constitui uma agravante. Já pedi desculpa, mas sei que as atitudes têm de ter consequências. Quem está no futebol como estou sabe que, independentemente do estatuto de cada um, as regras são iguais para todos. A este propósito, tenho ouvido muito falar em jogos de despedida, que tenho que ter uma despedida digna e que a Federação me quer dar essa oportunidade. Aprendi na vida, com fome e sem nada para comer muitas vezes, que ninguém dá nada a ninguém”, terminou.
Cristiano Ronaldo quebra silêncio: “Peço desculpa”. E diz-se “disponível”
O avançado Cristiano Ronaldo assumiu-se hoje disponível “como sempre” para “competir e ganhar” pela seleção portuguesa de futebol, numa mensagem escrita, em que pede desculpa aos adeptos e companheiros por ter abandonado a equipa das ‘quinas’.
Lusa | 19:22 – 06/10/2026
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