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Álvaro Santos Pereira acredita que pode haver excedente, mas pede “prudência orçamental”

Álvaro Santos Pereira acredita que pode haver excedente, mas pede “prudência orçamental”

“Não ficaríamos surpreendidos se houvesse excedente orçamental” este ano e em 2027, disse Álvaro Santos Pereira esta quarta-feira, na conferência de imprensa de apresentação do Boletim Económico de outubro do Banco de Portugal.
O efeito é mecânico, porque “se a economia cresce mais, há mais receita fiscal” — que Álvaro Santos Pereira considera estar “muitíssimo mais elevada”.
“A não ser que aumentemos muito a despesa”, ressalva. Nesse caso, as contas públicas poderiam ser afetadas. O governador pede, aliás, que o Governo “mantenha a prudência orçamental”, para que seja possível “continuar a reduzir a dívida pública”. É que, apesar de ter diminuído nos últimos anos, a dívida “continua elevada”.
“É preciso controlarmos o nível de despesa, para termos a certeza absoluta de que mais tarde não teremos problemas”, acrescentou Álvaro Santos Pereira.
O governador, porém, desdramatiza: “Se olharmos para as regras europeias, da despesa líquida, desde que haja um excedente orçamental, até 2028 não haverá necessidade de fazer ajustamentos, porque as regras assim o ditam”. No boletim económico de outubro, como habitualmente, não há novas previsões orçamentais.
O governador está satisfeito com o andamento da economia, que “continuará a ter um bom desempenho”, fruto do investimento e de ganhos de produtividade, o que permitiu superar, a curto prazo, o “impacto significativo das tempestades” no início do ano.
Álvaro Santos Pereira sublinha, contudo, que “a redução dos fluxos migratórios vai ter um impacto significativo nos próximos tempos”, ainda que, para já, o Banco de Portugal note um “fluxo significativo” de estrangeiros a entrar no país, o que “tem sustentado o crescimento do emprego”.
“A economia está bastante saudável”, conclui Álvaro Santos Pereira, mas há, como sempre, desafios à espreita, nomeadamente um “contexto internacional instável”, a que se juntam, entre outros, “tendências demográficas adversas”, e as transições climática e energética.
Entre os maiores riscos para a economia portuguesa estão o prolongamento do conflito no Médio Oriente, uma eventual correção dos mercados financeiros e a deterioração da competitividade, “se continuarmos com um ritmo muito elevado dos nossos custos”, sublinha Álvaro Santos Pereira.
Última atualização: 12h27

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