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Aprovadas alternativas a fecho temporário do Metro de Lisboa sem ‘shuttle’ até Santa Apolónia

Aprovadas alternativas a fecho temporário do Metro de Lisboa sem ‘shuttle’ até Santa Apolónia

O plano de mobilidade para a interrupção temporária do Metropolitano de Lisboa entre o Terreiro do Paço e Santa Apolónia foi hoje aprovado pelo executivo camarário, prevendo uma “rede de alternativas complementares”, mas não um ‘shuttle’ específico para aquele troço.
A proposta da Câmara Municipal de Lisboa (CML) para as soluções de mobilidade a aplicar durante o encerramento temporário daquele troço do Metropolitano (Metro) – ainda sem data conhecida – devido às obras do Plano Geral de Drenagem de Lisboa (PGDL) foi hoje discutida em reunião privada do executivo camarário, nos Paços do Concelho, e aprovada com os votos favoráveis da maioria PSD/CDS-PP/IL e do PS, a abstenção do PCP e do BE e os votos contra do Chega e do Livre, disse à Lusa fonte partidária.
O plano, a que a Lusa teve acesso, prevê “uma rede de alternativas complementares e não apenas a replicação do troço de Metro através de um único ‘shuttle’, por se considerar mais restritivo para o utente”, com a Carris a assegurar capacidade adicional de superfície e ligações diretas a Cais do Sodré e Restauradores.
Já o Metro vai manter a Linha Azul operacional até à estação Terreiro do Paço “e absorve a procura redistribuída por diferentes interfaces”, enquanto a CP mantém Santa Apolónia em funcionamento, “promovendo Oriente, Braço de Prata e a Linha de Cintura como portas alternativas de acesso à rede de Metro”.
“O desempenho do plano depende de três condições críticas: garantia de circulação rodoviária para os reforços Carris, informação multimodal simples e coerente e monitorização intensiva nas primeiras duas semanas para adaptação da oferta à procura real”, lê-se no documento.
A vereação do PS disse à Lusa ficar com “fundadas dúvidas sobre o prazo de conclusão do túnel de drenagem Campolide – Santa Apolónia e a sua entrada em operação, de forma a proteger a cidade de cheias significativas, nas zonas mais vulneráveis, nomeadamente Alcântara e Baixa de Lisboa”.
Pelo Chega, o vereador Bruno Mascarenhas justificou o voto contra com a ausência de prazo vinculativo do consórcio para a execução das obras que levam ao encerramento temporário daquele troço, bem como a ausência de repartição das responsabilidades e do mecanismo de repercussão dos custos dos atrasos que sejam imputáveis ao consórcio, salientando que inicialmente estavam previstos 10 meses de encerramento e “hoje aparecem 415 dias de encerramento do Metro em Santa Apolónia”.
Já o BE considerou o plano “muito insuficiente”, apontando que “as estações de metro mais próximas estão a mais de 20 minutos a pé e não há salvaguarda das faixas ‘bus’ nem ‘shuttle’”. “O trânsito vai aumentar e a situação naquela colina vai piorar muito”, alertou o vereador bloquista, Ricardo Moreira (em substituição de Carolina Serrão).
Também João Ferreira, vereador do PCP, assinalou que os valores de compensação a pagar ao Metro, calculados pela própria transportadora, não são acompanhados de uma avaliação e verificação por parte dos serviços da CML e defendeu ainda que se impunha “a criação de faixas BUS dedicadas em exclusivo ao transporte público”, que, “em complemento com carreiras especiais da Carris, garantissem a utilização do transporte público em detrimento do transporte particular”, tendo em conta que se trata de um percurso muito congestionado de trânsito.
O Livre questionou a CML sobre a ausência do plano de um ‘shuttle’ dedicado de alta frequência entre Santa Apolónia e Terreiro do Paço, que respostas existem para pessoas com mobilidade condicionada e passageiros do Terminal de Cruzeiros, e que indicadores vão medir o sucesso do plano, perguntando ainda, sobre as compensações financeiras, “se a Câmara está a passar um cheque em branco ao Metropolitano” e defendendo “no imediato, uma maior transparência sobre o custo total da operação para o município”.
O Livre apresentou também uma proposta de alteração ao plano, para “corrigir as fragilidades e insuficiências” como “dependência do trânsito rodoviário, frequências insuficientes, pouca atenção à acessibilidade e risco de congestionamento no eixo ribeirinho”, mas foi rejeitada com os votos contra dos partidos da direita.
Na reunião de hoje foram ainda levantadas diversas questões no período inicial reservado para o efeito, antes da Ordem do Dia, tendo o vereador do PS Sérgio Cintra alertado para o “agravamento da toxicodependência e para o aumento do microtráfico em Lisboa” que disse estar a expandir-se a zonas da cidade onde não era identificado, como o recente parque urbano Gonçalo Ribeiro Telles, na Praça de Espanha, e tendo submetido 10 questões ao presidente da CML, Carlos Moedas (PSD), como “que equipas de rua, de redução de riscos e de apoio social operam hoje em Arroios, na Penha de França ou na Praça de Espanha?” e se “o Conselho Municipal de Segurança já debateu este tema?” e que conclusões tirou.
O PS questionou ainda sobre duas empreitadas que iam permitir disponibilizar cerca de 20 casas para arrendamento a preços acessíveis no centro da cidade, que ficaram por adjudicar, alertando para os riscos de “estarem a ser lançadas com orçamentos desajustados face aos preços de mercado, o que compromete, à partida, o sucesso dos concursos”.
Assinalando a ausência de Carlos Moedas na reunião, o socialista Pedro Anastácio considerou que a mesma “só pode ser encarada como cobardia política”, depois das declarações à Antena 1, na terça-feira, a acusar o PS de ter criado e disseminado o vídeo que circula as redes sociais sobre os contactos com os familiares das vítimas do elevador da Glória.

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