BdP revê em alta projeções de crescimento este ano e no próximo à boleia do PRR e exportações
O Banco de Portugal (BdP) reviu em alta a projeção de crescimento para este ano e o próximo, fruto fundamentalmente do impacto dos fundos europeus e da melhor prestação das exportações do que se esperava no anterior exercício de previsões, datado de julho. A economia nacional deve assim crescer 2,3% este ano e 1,8% no próximo, com revisões em alta na generalidade das componentes do PIB.
O Boletim Económico de outubro, divulgado esta quarta-feira, revê em alta o crescimento este ano de 1,8% para 2,3% e o de 2027 de 1,6% para 1,8%, revelando uma maior resistência da economia portuguesa ao choque energético em curso do que se antecipava em julho. Segundo o banco central, a atualização “reflete o impulso dos fundos do PRR e das medidas orçamentais, bem como um desempenho mais positivo das exportações”.
“Após a forte recuperação da atividade económica no segundo trimestre, projeta-se um crescimento mais moderado no terceiro trimestre e uma nova aceleração no final do ano”, lê-se no Boletim, projetando o resto deste ano. “Para o terceiro trimestre, projeta-se um crescimento do PIB de 0,2%, em linha com a moderação sugerida pelos indicadores de conjuntura disponíveis, em particular para o consumo e as exportações.”
No detalhe, o investimento foi revisto em alta de 4,5% para 5,6%, ao passo que as exportações deverão crescer 3,5%, acima dos anteriormente projetados 2%. De notar, contudo, que também as importações foram atualizadas em significativa alta, de 3,7% para 6%, reduzindo o impacto da melhoria nas vendas ao exterior.
Para 2027, a evolução das exportações foi melhorada de 2,6% para 3% de aumento, ao passo que as importações devem crescer 2,9%, ou seja, acima dos 2,2% antes esperados.
O consumo também deverá crescer mais do que se antecipava em julho, sendo revisto em alta de 1,9% para 3,1% este ano e de 1,7% para 2,1% no próximo.
Já no que toca à inflação, e apesar do disparo nos custos energéticos, não houve mexidas em relação ao anterior Boletim e às previsões publicadas em julho. O BdP antecipa uma inflação de 3,1%, isto medido pelo índice harmonizado de preços no consumidor, ou seja, usando o indicador de referência para Bruxelas. No próximo ano, mantém-se a previsão de 2,4%, isto antes de o indicador retornar ao objetivo de 2% em 2028.
O indicador subjacente foi, no entanto, atualizado por 1 ponto percentual (pp) em alta tanto para este ano, quando deve fechar em 2,5%, como para o próximo, quando o BdP aponta a 2,6%.
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