Bolsas europeias caem com subida dos juros que impactam banca. PSI sob forte pressão
As ações europeias encerraram em baixa nesta quarta-feira, dia 7 de outubro, pressionadas por uma nova subida dos rendimentos da dívida soberana, com os investidores a digerirem as atas da última reunião da Reserva Federal (Fed) e a monitorizarem a escalada geopolítica no Médio Oriente.
O índice português PSI encerrou a sessão nos 9.333,76 pontos, registando uma desvalorização de 0,92% (-86,67 pontos). As maiores quedas da sessão foram lideradas pela Altri, que recuou 3,58% para 4,310 euros, seguida pela Mota-Engil (-3,40% para 4,662 euros), Teixeira Duarte (-2,81% para 0,4490 euros), NOS (-2,31% para 5,280 euros) e BCP (-2,19% para 1,1630 euros).
Em sentido contrário, apenas três cotadas conseguiram contrariar a tendência negativa: a Sonae subiu 1,48% para 2,06 euros, a Ibersol avançou 0,81% para 9,95 euros e a Galp Energia valorizou 0,23% para 21,92 euros.
No resto da Europa, o EuroStoxx 50 caiu 1,47% para 6.180,29 pontos, enquanto o índice pan-europeu Stoxx 600 recuou 1,05%. O FTSE 100 em Londres desvalorizou-se 0,79% para 10.458,50 pontos. O CAC 40 em Paris perdeu 1,22% para 7.769,21 pontos, e o DAX em Frankfurt caiu 1,35% para 25.104,36 pontos. O FTSE MIB em Milão registou a maior queda entre os principais índices, recuando 2,51% para 49.972,25 pontos, enquanto o IBEX 35 em Madrid desceu 1,68% para 19.118,00 pontos.
No seu comentário de fecho de mercados, o Millennium investment banking destacou que “a banca é quem mais perde no dia em que juros derrubam bolsas”. A instituição sublinha que as bolsas europeias foram marcadas por nova subida dos juros de dívida soberana, com especial destaque em França e nos EUA, num contexto em que as atenções estão voltadas para as atas da última reunião da Fed.
Os analistas do Millennium notam ainda que os investidores se refugiam em setores mais defensivos, como o farmacêutico e o alimentar. O panorama político em França gera preocupações crescentes, com maior reflexo no setor da banca. Geopoliticamente, os preços do petróleo continuam voláteis devido a novos ataques dos houthis na Arábia Saudita e a paragens na produção no Golfo do México devido a condições meteorológicas adversas.
No mercado de matérias-primas, o petróleo WTI recua 0,45% para 89,04 dólares, enquanto o Brent subiu 0,34% para 100,92 dólares.
Dívida francesa dispara
Por sua vez nos mercados de dívida soberana, a yield das obrigações alemãs a 10 anos situou-se nos 3,47%, com uma variação de -0,37 pontos base. Em Portugal, a dívida a 10 anos rendia 3,98%, um agravamento de 4,58 pontos base. A dívida espanhola a 10 anos agrava também 4,83 pontos base para 4,12% e a italiana dispara 9,68 pontos base para 4,62%. A dívida grega idem a subir 9,26 pontos base para 4,48%.
Mas verdadeiramente assustador é a subida dos juros da dívida francesa, que agravam 11,92 pontos base para 4,87%
Nos EUA, a yield das obrigações a 10 anos subiu 2,88 pontos base para 5,31%.
No mercado cambial, o euro desvalorizou-se 0,62% face ao dólar, com o euro a cotar nos 1,1189 dólares.
Geopolítica não dá tréguas
Na geopolítica, o destaque vai para a notícia de que o Comité Militar da NATO, liderado pelo almirante italiano Giuseppe Cavo Dragone, esteve em Kiev nesta quarta-feira, 7 de outubro (dia de anos do presidente russo), acompanhado pelos representantes militares dos 32 Estados-membros da Aliança. A visita foi confirmada pela própria NATO.
Não se trata no entanto, tanto quanto garante a NATO, do envio de tropas de combate da NATO para a Ucrânia. São altos responsáveis e representantes militares dos países aliados, que se reuniram com a liderança das Forças Armadas ucranianas para discutir as prioridades militares de Kiev, as lições retiradas da guerra e a preparação da Aliança para futuros conflitos.
Hoje também assinalam-se três anos desde o ataque do Hamas a Israel. O ataque de 7 de outubro de 2023 matou cerca de 1.200 pessoas e levou 251 reféns para Gaza.
A guerra entre o Irão e a coligação EUA-Israel entrou no sétimo mês. O vice-presidente norte-americano, JD Vance, disse à Reuters que Teerão terá de aceitar uma redução significativa da sua capacidade de enriquecimento de urânio para que Washington aceite terminar o conflito. Vance reconheceu, contudo, que os EUA não têm uma imagem clara de quem está efetivamente a tomar as decisões em Teerão.
É uma questão central porque Washington parece estar a colocar o programa nuclear iraniano no centro de qualquer acordo, enquanto o Irão continua a manter capacidade militar e influência regional.
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