Mercados aguardam atas da Fed e inventários de petróleo após máximos históricos em Wall Street
Os investidores entram nesta quarta-feira, 7 de outubro, com o otimismo renovado depois de o S&P 500 e o Nasdaq Composite terem atingido máximos históricos na sessão de terça-feira, impulsionados pelo alívio parcial nos yields da dívida e pela estabilização dos preços do petróleo.
Os futuros norte-americanos apontavam para uma abertura positiva, sustentados pelo setor tecnológico e pelo ciclo de investimento em inteligência artificial, enquanto a atenção se concentra nas atas da última reunião da Reserva Federal e no leilão de notas do Tesouro a 10 anos.
Wall Street fechou terça-feira com o S&P 500 perto de novos recordes, acima dos 7.770 pontos, e o Nasdaq Composite a registar o 23.º máximo histórico de 2026. A Nvidia, que se aproxima de uma capitalização de 6 biliões de dólares, continuou a liderar os ganhos.
O Dow Jones subiu 0,49% para 51.521,28 pontos.
A temporada de resultados do terceiro trimestre arranca com expectativas elevadas, especialmente entre as grandes tecnológicas. Esta quarta-feira, o mercado acompanha de perto a publicação das atas do FOMC, à procura de pistas sobre o ritmo de subidas de juros, depois de dados de emprego mais fracos terem arrefecido as apostas numa nova alta já em outubro. Também saem os inventários semanais de crude da AIE – Agência Internacional de Energia e o crédito ao consumo.
Esta terça-feira foi conhecido que o défice comercial dos Estados Unidos aumentou 13,7% em agosto para 105.600 milhões de dólares (cerca de 93.871 milhões de euros), o valor mais elevado desde março de 2025, segundo dados divulgados hoje pelo Bureau of Economic Analysis. O aumento foi impulsionado por um forte crescimento das importações, que atingiram um máximo histórico.
Na Europa, as bolsas fecharam a sessão anterior em alta, com o Stoxx 600 a ganhar 0,48%. O DAX e o CAC 40 avançaram, enquanto o FTSE 100 também subiu.
O alívio nos yields da dívida francesa, que recuaram cerca de 10 pontos-base para perto de 4,75%, ajudou a acalmar os nervos após as preocupações orçamentais em França e a convocação de eleições antecipadas em Espanha. Os dados de produção industrial alemã de agosto e a balança comercial francesa serão os principais indicadores do dia no continente.
O petróleo manteve-se pressionado, com o Brent a oscilar perto dos 98 a 100 dólares por barril e o WTI próximo dos 89 dólares. Os preços recuaram na terça-feira com o aumento das exportações do Médio Oriente e a libertação coordenada de cerca de 100 milhões de barris de reservas de emergência pelo G7. Ainda assim, o prémio de risco geopolítico permanece elevado. Os inventários semanais da AIE, a divulgar esta tarde, serão o principal catalisador de curto prazo.
Nos mercados de dívida, os yields dos Treasuries aliviaram ligeiramente, com o 10 anos a recuar para a zona dos 5,27% a 5,30%. Em Europa, o spread entre a dívida francesa e as Bunds alemãs estreitou-se. O leilão de notas a 10 anos nos Estados Unidos será um teste importante à procura, num contexto de emissão elevada.
No plano geopolítico, a guerra entre Estados Unidos, Israel e o Irão continua a ser o principal fator de risco. Os houthis lançaram ataques contra aeroportos sauditas, forças apoiadas pela Arábia Saudita avançaram no Iémen, perto do estreito de Bab el-Mandeb, e o pacto de defesa entre Arábia Saudita, Paquistão e Turquia foi ativado. O Estreito de Ormuz mantém-se sob tensão. O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirma que a guerra do Irão pode terminar se Teerão fizer uma “redução significativa” da sua capacidade de enriquecimento nuclear iraniano. No entanto, afirma não saber quem toma as decisões em Teerão.
A Ucrânia intensificou ataques com drones sobre a região de Moscovo numa altura em que as forças russas apertam cerco às tropas ucranianas em Vovchansk.
O cenário de fundo permanece de crescimento resiliente impulsionado pela inteligência artificial, mas com yields elevadas e riscos no Médio Oriente a limitarem o potencial de ganhos.
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