CEO da Chevron considera que proibição de diesel pelos EUA seria “imprudente”
O CEO da Chevron, Mike Wirth, criticou na quarta-feira, 7 de outubro, a intenção da administração norte-americana, liderada por Donald Trump, de proibir a exportação de gasóleo ao qualificá-la como “imprudente”. Contudo, após a decisão do G7 de libertar reservas de petróleo e gasóleo, a 2 de outubro, o governo norte-americano acabou por recuar na ameaça de proibição de exportação de gasóleo.
“As proibições de exportação, sejam nos Estados Unidos ou noutros países, na verdade retiram o fornecimento do mercado global e correm o risco de piorar a situação”, disse Mike Wirth, em declarações ao programa Squawk Box Europe da CNBC.
“Os Estados Unidos têm sido um fornecedor fiável para o mundo numa altura em que este precisa. E penso que seria imprudente para os Estados Unidos gerar dúvidas na mente dos nossos aliados e parceiros sobre se estaremos presentes com um fornecimento fiável quando os tempos são difíceis — e, portanto, existem outras opções”, acrescentou.
No final de setembro, o presidente norte-americano, Donald Trump, tinha admitido avançar com uma proibição de exportação de gasóleo norte-americano para o resto do mundo. “Estamos a pensar nisso muito seriamente”, disse o governante, citado pela CNBC. O secretário da Energia norte-americano já tinha admitido que os EUA poderiam avançar com restrições em vez de uma proibição.
Pelo meio, os Estados Unidos desafiaram a Europa a libertar 120 milhões de barris sob risco de os Estados Unidos avançarem mesmo com a proibição de exportações de petróleo.
G7 liberta reservas de petróleo e gasóleo e EUA recuam
Na sequência da ameaça norte-americana, o G7, constituído por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido, acabou por anunciar, a 2 de outubro, a libertação de 100 milhões de barris de reservas estratégicas de petróleo e gasóleo. Essa libertação será coordenada pela Agência Internacional de Energia (IEA) e vai ter lugar nos próximos quatro meses, anunciou o presidente francês Emmanuel Macron, que atualmente lidera o G7.
Esta libertação inclui uma “libertação substancial” de gasóleo no prazo de 20 dias, com discussões sobre “libertações adicionais de gasóleo, conforme necessário”, confirmou o G7, em comunicado transcrito pela “BBC”. Esta decisão tem um prazo de quatro meses.
No âmbito desta decisão não haverá quaisquer “restrições à exportação de energia e produtos energéticos” entre os membros do G7, confirmou o grupo.
Donald Trump acabou depois por afirmar, na Casa Branca, que uma proibição de exportação de gasóleo “nunca esteve realmente em discussão”, em declarações também transcritas pela “BBC”. Quanto à decisão do G7, disse que o que a Europa fez “foi ótimo”.
O governante acrescentou que a Europa “tem muito gasóleo e vai dar um grande contributo mundial – e nós também [EUA], reforçando que os Estados Unidos “não vão impor” a proibição de exportação.
Na terça-feira, 6 de outubro, Donald Trump assinou um decreto a flexibilizar os limites à utilização isenta de impostos de gasóleo vermelho, uma decisão que, a seu ver, poupará “milhões” aos agricultores e reduzirá o custo de todos os bens.
O gasóleo destinado a utilizações fora da estrada, como a agricultura, está isento de impostos especiais de consumo federais e estaduais e é corado de vermelho para fins de aplicação da lei, explicou a Casa Branca, num comunicado.
A remoção temporária dos limites reduzirá as pressões de custos sobre as empresas que dependem do gasóleo.
“O camionista típico poupará mais de 100 dólares [89 euros] cada vez que encher o depósito”, afirmou Trump, ao assinar o decreto executivo, num palco perante uma multidão em Grand Island, no Nebraska, uma região tradicionalmente conservadora, localizada no centro dos EUA, onde o chefe de Estado se deslocou em ação de campanha eleitoral, a quatro semanas as eleições intercalares.
“Os agricultores também pouparão milhões e milhões de dólares, e este decreto irá também reduzir o custo de todos os bens e, consequentemente, os preços dos produtos alimentares de forma muito substancial”, acrescentou.
Apesar da assinatura do decreto em público, Trump admitiu não estar familiarizado com o tema. “Não faço ideia do que raio é”, disse sobre o combustível. “Mas seja o que for, dizem que é muito bom”, acrescentou.
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