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E o Nobel da Literatura vai para… Anne Carson

E o Nobel da Literatura vai para… Anne Carson

Anne Carson venceu o Prémio Nobel da Literatura 2026, anunciado esta quinta-feira, 9 de outubro. Poeta, ensaísta, tradutora e classicista, a canadiana foi várias vezes apontada como uma das favoritas ao Prémio. Em 2026 deixou o reino das probabilidades e recebe o Prémio que, até hoje, já distinguiu 122 autores.
Especialista em grego, a sua obra é diretamente influenciada pela cultura grega antiga, pela qual se começou a interessar quando descobriu numa livraria uma edição bilingue da poesia de Safo, “mudado a sua vida para sempre”. Recordamos as suas palavras aquando da atribuição do Prémio Princesa das Astúrias das Letras, em 2020. “A visão das duas páginas sobrepostas, uma delas com um texto impenetrável, mas de grande beleza visual, cativou-me e comprei o livro.”
A famosa chamada telefónica da Academia Sueca foi feita pela sua secretária permanente, Ingrid Carlberg. Por ocasião do anúncio do autor premiado este ano com o Nobel da Literatura, Carlberg revelou que Carson “se encontra na Islândia a ouvir o som do vento” e que manifestou total surpresa ante a distinção.
A academia Nobel justificou a escolha pela sua “obra ousada e criativa que, num diálogo lúdico com a tradição clássica, criou novas formas para a literatura contemporânea”. “Quase toda a sua produção literária tem-se centrado na interseção entre a obsessão da filóloga pelas palavras e o desejo da poetisa por novos significados. Ela própria identificou a etimologia das palavras como o ponto de partida de toda a sua obra”, destacou ainda a academia. “As suas traduções do grego clássico podem ser consideradas obras independentes por direito próprio.”
Nascida em Toronto em 1950, é considerada  “um dos mais requintados e eruditos escritores da literatura contemporânea, bem como autora de uma obra hipnótica, na qual funde estilos, referências e formatos, e aposta pelo híbrido entre o greco-latino, o medieval e o contemporâneo”. Dos seus livros, destacam-se Autobiography of Red: A Novel in Verse (1998), Men in the Off Hours (2001), The Beauty of the Husband: A Fictional Essay in 29 Tangos (2001), NOX (2010) ou Eros, o Amargo e Doce Um Ensaio, editado em português pelas Edições 70.

Carson é a 19.ª mulher a vencer o prémio Nobel da Literatura, num ano em que a escritora portuguesa Lídia Jorge estava entre os nomes apontados pelas casas de apostas para vencer. Portugal venceu o Nobel da Literatura apenas uma vez. Em 1998, José Saramago recebeu o prémio pela sua obra, tornando-se também o único escritor de língua portuguesa distinguido pela Academia Sueca.

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