PSI fecha em alta e contraria tendência de fortes quedas nas bolsas europeias
O índice PSI contrariou a tendência global e encerrou a sessão desta quinta-feira com uma valorização de 0,15%, fixando-se nos 9.347,56 pontos. A praça lisboeta foi impulsionada pelo forte desempenho do setor energético, com a Galp Energia a liderar os ganhos ao subir 3,51% para 22,69 euros, beneficiando diretamente da escalada dos preços do petróleo nos mercados internacionais. A acompanhar a tendência positiva, a Jerónimo Martins avançou 2,43% para 17,27 euros, a Semapa valorizou 1,80% para 19,24 euros e a Sonae registou um acréscimo de 1,46% para 2,09 euros.
Em contraciclo, o BCP foi o título mais penalizado do índice ao recuar 2,41% para 1,135 euros, arrastado pela pressão negativa que o setor bancário francês exerceu sobre as restantes praças europeias.
A EDP Renováveis perdeu 1,85% para 12,17 euros, a Mota-Engil cedeu 1,63% para 4,586 euros e os CTT desvalorizaram 1,38% para 5,72 euros.
A nível europeu, o sentimento foi de forte aversão ao risco. O EuroStoxx 50 caiu 0,87% para 6.126,73 pontos, enquanto o índice pan-europeu Stoxx 600 recuou 0,75%. O DAX alemão foi o índice mais castigado entre as principais economias, ao afundar 1,18% para 24.806,97 pontos. O FTSE MIB italiano perdeu 1,35% para 49.297,88 pontos e o IBEX espanhol desvalorizou 0,99% para 18.929 pontos. Em quedas mais moderadas, o CAC 40 francês caiu 0,51% para 7.729,69 pontos e o FTSE 100 britânico encerrou com uma perda de 0,16% para 10.441,60 pontos.
O mercado de matérias-primas continua a ser um dos principais focos de tensão, com o petróleo a registar fortes subidas. O Brent do Mar do Norte avançou 3,52% para 103,73 dólares por barril, enquanto o WTI subiu 2,85% para 90,80 dólares. Este aumento alimenta os receios de que as pressões inflacionistas persistam, obrigando os bancos centrais a manter ou intensificar o aperto monetário.
Nos mercados obrigacionistas, as yields continuam a subir, com a taxa das Bunds alemãs a 10 anos a fixar-se em 3,49%, um acréscimo de 1,92 pontos base. Em Portugal, a yield das obrigações a 10 anos situou-se em 3,98%, subindo 0,09 pontos base.
No seu comentário de fecho de mercados, o Millennium Investment Banking sublinhou que a sessão foi globalmente negativa para as ações europeias, com os preços do petróleo a subirem mais de 5% e a agravarem os receios inflacionistas. A instituição destacou que as yields soberanas continuam a subir, com França no epicentro das preocupações devido ao seu elevado défice e à necessidade de medidas drásticas para a sua redução.
Nos Estados Unidos, a taxa dos 10 anos atinge os 5,3%, o valor mais elevado em mais de duas décadas, o que preocupa o mercado relativamente aos elevados custos de financiamento para suportar investidores em inteligência artificial.
O BCP notou ainda que o PSI conseguiu contrariar o exterior à boleia da valorização da Galp e de títulos como Jerónimo Martins, Semapa e Sonae, enquanto o BCP foi arrastado pela pressão francesa sobre o setor.
O contexto macroeconómico e geopolítico permanece altamente volátil, num dia em que o Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, se encontra em Lisboa para uma série de reuniões diplomáticas e económicas com homólogos europeus. A visita de Rubio à capital portuguesa ocorre num momento de particular sensibilidade para as relações transatlânticas e para a coordenação de políticas monetárias e energéticas, com os investidores atentos a quaisquer sinais sobre o impacto das tensões comerciais e geopolíticas na inflação e no crescimento económico da região.
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