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Resiliência e disciplina orçamental para proteger Portugal

Resiliência e disciplina orçamental para proteger Portugal

A economia mundial, e também a europeia continuam a desafiar os prognósticos mais pessimistas. Primeiro, resistiu melhor do que se antecipava às ofensivas tarifárias comerciais de 2025. Depois, em 2026, mostrou capacidade para absorver as consequências económicas do conflito no Irão. O crescimento abrandou, mas não colapsou. O que sustenta, afinal esta resistência? E de que forma se relaciona com a importância estratégica nacional de confiar no processo de manter contas públicas saudáveis e ir progressivamente diminuindo impostos? Mais do que aparenta à primeira vista.
Um estudo publicado recentemente pelo BNP Paribas identifica novos motores de crescimento para a União Europeia: inteligência artificial, eletrificação e investimento na defesa. A procura de equipamentos tecnológicos, maquinaria e infraestruturas está a reanimar a indústria, incluindo na Europa. Ou seja, há um novo ciclo de investimento empresarial em formação – que também foi bastante suportado pelo programa next generation EU que agora termina, mas cujo impacte deverá ir muito para além do término.  Segundo a Comissão Europeia, até ao final de agosto de 2026 tinham sido desembolsados 440 mil milhões de euros, dos quais 17,23 mil milhões destinados a Portugal, sobretudo para financiar investimentos e reformas estruturais
Esta resiliência económica tem um custo. A inflação continua acima das metas de vários bancos centrais e a instabilidade geopolítica pressiona os preços da energia. O Banco Central Europeu (BCE) já aumentou as taxas diretoras duas vezes em 2026 e os juros de longo prazo regressaram a níveis próximos dos observados antes da crise financeira de 2008. A comparação com 2006-2007 não significa que estejamos perante uma repetição daquela crise. O problema é que os Estados enfrentam este ciclo com níveis de endividamento mais elevados. À medida que a dívida é refinanciada a taxas superiores, os encargos orçamentais aumentam, reduzindo a margem para responder a novos choques.
É neste contexto que a discussão do Orçamento do Estado para 2027 ganha especial importância. Portugal reduziu a dívida pública de 134,1% do PIB em 2020 para 89,2% em 2025. Em paralelo, o Governo aponta para um alívio acumulado de IRS de 2.400 milhões de euros desde 2024, preparando uma sexta redução em 2027. A taxa geral de IRC desceu também de 21% para 19%. E isto importa para a vida das famílias e empresas portuguesas.
Num mundo de juros mais elevados e permanentes desafios políticos e geopolíticos, que impactam o custo de vida dos portugueses, como é o caso da habitação e dos combustíveis, importa encontrar respostas aos problemas imediatos, mas também manter o curso estratégico de futuro. E isso passa por continuar a reformar, apostar na inovação, preservar a trajetória de redução da dívida, assegurar uma gestão rigorosa dos dinheiros públicos e criar condições para continuar a aliviar a tributação são objetivos que exigem disciplina orçamental e crescimento económico.
Afinal, num país com poucos recursos, a melhor resposta à próxima crise começa na forma como nos preparamos hoje.

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