A carregar agora

Um momento crítico

Um momento crítico

A Europa encontra-se em mais um momento crítico da sua existência, resultado na inação política. Os juros estão a subir de forma agressiva, o custo da energia disparou, o euro está a desvalorizar e o défice comercial é agora uma realidade.
Em França, os juros a 10 anos atingiram os 5%, nível nunca visto em 25 anos, num período particularmente sensível e frágil em termos políticos e económicos. Com uma dívida a superar os 115% do PIB, a França não tem margem de ação, resultado da falta de reformas, de adaptação da economia aos novos desafios e da falta de investimento interno.
O pântano político de alguns países congelou a ação da Zona Euro, colocando mais uma vez em causa a estabilidade do Euro, a moeda que nos une. Em Espanha ou na Alemanha, o panorama político também é instável e a falta de governos maioritários dificulta a tomada de decisões. Por outro lado, o custo da energia disparou para os europeus em todas as vertentes. O preço do petróleo, e principalmente do gás, subiu acentuadamente, com este último a subir 175% desde o início de março. Ao mesmo tempo, o preço do gás nos EUA manteve-se inalterado, já que são produtores.
Durante anos, a Europa descurou a sua autonomia energética, sem falar da defesa e da indústria, e estamos agora a pagar o preço – maior custo, mais instabilidade social e menor competitividade, resultando em mais importações que acabam por ser mais baratas do que produzir internamente. A energia foi o que mais pesou no défice comercial da Europa no segundo trimestre de 2026.
Temos ainda um problema que ninguém quer encarar – o défice comercial com a China. No seu discurso da União, Ursula von der Leyen referiu que o défice comercial com a China é agora superior a mil milhões de euros por dia. São 365 mil milhões de euros que saem da União Europeia! Estes números são assustadores, pois uma parte desse défice é reciclado em investimento de volta para a União. Ou seja, temos défice para que outros possam investir nas empresas europeias.
É, pois, impreterível repensar a estratégia da Europa. Bruxelas acha que o dinheiro compra energia, defesa e bens. Mas o dinheiro acaba-se e não é atirando dinheiro aos problemas que eles desaparecem. Estamos a ficar mais pobres, sem capacidade de investimento e a ser drenados nos nossos recursos financeiros, o último recurso que nos mantém independentes.
Portugal e a Europa precisam de mais literacia financeira nas escolas, nas famílias e nas empresas, mas também ao nível político. Pois são os políticos que decidem o futuro dos europeus, muitas vezes condicionados por calendários eleitorais e não no melhor interesse dos eleitores.

Share this content:

Publicar comentário